Sete meses depois de nascer prematura, Beatriz Moreira Rodrigues é uma criança alegre e esperta. Pesando sete quilos e muito sorridente, a garota que nasceu no dia 11 de dezembro de 1999 com 34 semanas de gestação (6,5 meses) e pesando 1,555 quilo, hoje é uma criança saudável.
Beatriz ficou famosa com apenas poucos dias de vida por fazer parte da experiência ‘‘pai-canguru’’, no Hospital Evangélico (HE) de Londrina, onde nasceu. A experiência já é comum envolvendo bebês prematuros e mães, mas com pais ainda é uma novidade.
No caso de Beatriz, segundo o pai Paulo Rodrigues, o pediatra Marcos Vinícius Gomes da Cunha o convidou para realizar a experiência junto com sua mulher, Norma Beatriz Capistrano Moreira Rodrigues. Durante os 27 dias em que sua filha esteve internada, ele passou de 2 a 3 horas por dia com o bebê enfaixado em seu corpo.
Rodrigues se revezava com a mulher. ‘‘Notei neste período que quando ela estava amarrada ao nosso corpo ficava muito mais calma. Na incubadora ela ficava agitada’’, lembra. Hoje Beatriz é um bebê normal, sem nenhum problema de saúde decorrente do fato de ter sido prematura, segundo Rodrigues. ‘‘Foi uma experiência muito gratificante’’, afirma.
O HE repetiu a experiência no início deste ano em um caso mais complicado. A mãe, grávida de sete meses, foi submetida a uma cesariana de emergência em dezembro do ano passado, por causa de uma meningite. Dois dias depois ela faleceu. O bebê nasceu com 985 gramas e ficou em uma incubadora. No início do ano, o pai utilizou o método canguru até seu filho ter alta no final de fevereiro.
O método surgiu há 10 anos no México após um grave terremoto que danificou os hospitais. Sem estrutura para atender os bebês prematuros, na ausência de incubadoras, a solução encontrada foi enrolá-los aos corpos de suas mães.

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