A falta de programas públicos que atendam a crianças e adolescentes com problemas de conduta, em Londrina, está causando transtornos para famílias que enfrentam dificuldades com os filhos. É o caso do jardineiro Armando Seiboth, 33 anos, que procura assistência para o filho F.T.S.S., 9 anos. Segundo o pai, além de mau comportamento, o filho não está frequentando a escola por ter chegado recentemente do Mato Grosso do Sul, onde morava com a mãe, e não ter trazido a documentação de transferência.
O desespero levou o pai a procurar a promotoria da Infância e da Juventude em busca de uma vaga nas casas abrigo. Seiboth teme que a rebeldia do menino, aliada ao convívio nas ruas – ele costuma fugir de casa, conforme o pai – o leve a problemas maiores, como o envolvimento com as drogas. O pedido do jardineiro teria sido desconsiderado, pois as casas abrigo são para crianças e adolescente que cometem infrações graves e fogem do controle das famílias, ou para os menores de rua que vivem em extrema situação de risco. O promotor encaminhou Seiboth ao Conselho Tutelar.
A demanda para estes casos, segundo a diretora de planejamento e avaliação da Secretaria de Ação Social, Gisele Tavares, é maior que a demanda das creches (aproximadamente 12 mil vagas). Só no ano passado foram realizados 1.032 atendimentos de desvio de conduta. Os poucos programas que existem são dirigidos aos menores com vivência de rua e que são abordados pelos projetos da secretaria. Há na cidade outros projetos ligados a entidades não governamentais e Igrejas, cuja fila de espera pode levar meses.
A diretora diz que a assistência oferecida pelo Núcleo de Atendimento Psicossocial da Criança e Adolescente (Naps-Ca) é referência na cidade. O núcleo oferece acompanhamento psicológico à criança e à família, além de oficinas. A Comunidade Terapêutica, vinculada ao Núcleo, oferece acompanhamento diário, principalmente para os menores drogados. O Naps, segundo a gerente de saúde mental Lia Regina Figueira de Melo, possui uma fila de espera de aproximadamente 400 pessoas, mas passa por modificações para que elas sejam eliminadas. O número de profissionais também é bastante reduzido, com um psiquiatra, uma assistente social e três psicólogos. As mudanças, entretanto, não possuem uma data prevista.
A principal dificuldade para novas ações, afirma Gisele, é a contratação de pessoal para manutenção dos serviços, devido à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Por isso, a secretaria está investindo no aumento de vagas nas entidades que atuam em Londrina. ‘‘Este ano conseguimos 20 novas vagas na Associação de Mães e Pais do Conjunto Aquiles Stenghel’’, comentou.
A secretária de Ação Social, Maria Luiza Rizotti, diz que são oferecidas 3.500 vagas para casos de crianças e adolescentes em situação de risco, nas entidades governamentais e não-governamentais. Ela ressalta que a melhor maneira de tratar a questão é envolver a família e, por isso, o município está investindo em ações de apoio social às famílias, como o programa Bolsa-Escola. Ela enfatiza ainda a necessidade de ações integradas com as demais secretarias como a educação, cultura e saúde. ‘‘Nossas ações estão pautadas no princípio de descentralização, democratização, trabalhos comunitários e acima de tudo o envolvimento das famílias.’’

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