Pai acusa filho de matar barbeiro em Porecatu
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 08 de maio de 2002
Luciano Augusto <br>Reportagem Local 
Centenário do Sul O lavrador Ronival Aparecido dos Santos, 20 anos, foi interrogado anteontem, no final da tarde, pela juíza Roseli Maria Geller, de Centenário do Sul (91 km ao norte de Londrina). Ele negou a autoria do latrocínio (roubo seguido de morte) contra o barbeiro Manoel Hipólito dos Santos, 67 anos, em 29 de abril. O pai de Ronival, José Aparecido dos Santos, que está preso acusado de co-participação, também foi interrogado, negou envolvimento e contradisse o filho.
O barbeiro mantinha um relacionamento com a trabalhadora rural Maria das Dores Silva, 24 anos, que, além de estar presa acusada pela morte de Manoel, afirmou à polícia e à Justiça que teria matado pelo menos três filhos recém-nascidos entre 1997 e 2001. Manoel foi encontrado enterrado numa fossa no quintal da casa de Maria das Dores, com tiros na nuca e sinais de pauladas.
Pai e filho foram apontados por Maria das Dores como autores do crime: o primeiro de ter atirado contra o barbeiro e o segundo de ter dado pauladas. Os três são réus no processo de furto, latrocínio, ocultação de cadáver e estelionato contra o barbeiro. A mulher está presa em Porecatu e os outros dois envolvidos estão detidos em Centenário do Sul.
Ronival disse à juíza que não foi o autor do furto de uma carteira, dinheiro e cartão bancário do barbeiro meses antes da sua morte. Ele relatou também que não teve qualquer participação na morte de Manoel, não sabe quem o matou e nem quem enterrou o corpo.
Ele disse que esteve na casa de Maria das Dores no dia do crime, por volta das 22 horas, mas não viu o corpo da vítima no local. Teria apenas visto marcas de sangue na cozinha. Sobre os cheques, ele afirmou que Maria das Dores teria solicitado a ele que preenchesse duas folhas (de R$ 300,00 e R$ 350,00) e que uma terceira folha já havia sido preenchida pela própria ré. Ele assegurou que não ficou com nenhum valor em dinheiro. Ao contrário do que afirmou Maria das Dores, o acusado disse à juíza que não sabia que ela tinha enterrado um filho recém-nascido no quintal.
Ronival alegou que assumiu a autoria do crime porque foi torturado. Da primeira vez, um policial de apelido Luizão o teria levado até um canavial e o intimidado dando um tiro para o alto. Da segunda vez, um policial de nome Brambila teria colocado uma corrente em seu pescoço enquanto um outro policial, de nome Neto, ameaçava de dar-lhe choques elétricos.
A versão de Ronival, entretanto, não foi confirmada por seu pai. José Aparecido contou que o filho chegou em casa por volta de 20h30 do dia 29 e disse que tinha feito uma besteira,..., que ele e Maria das Dores tinham tirado a vida de uma pessoa por causa de apuro financeiro. Segundo José Aparecido, o filho afirmou que teria dado dois tiros na nuca do barbeiro e Maria das Dores teria dado as pauladas.
Ele também identificou uma fotografia da arma do crime, como sendo o revólver que Ronival portava naquela sexta-feira. José Aparecido negou ter tido qualquer participação no crime e que desconhecia que o filho havia sido torturado.


