A destinação de um percentual sobre ações trabalhistas movidas contra o Estado por professores e servidores da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), está gerando polêmica e conflitos entre os ganhadores das ações e o Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino Superior do Oeste do Paraná (Sinteoeste). O sindicato quer receber sua parte no valor nas ações, alegando haver acordo neste sentido, que não estaria sendo cumprido pelos ganhadores.
O caso, informado ontem à Folha, revelou a existência das ações e seus resultados, até então desconhecidos publicamente. Um grupo de 95 professores e servidores de quatro câmpus da Unioeste havia acionado o Estado no início da década, reivindicando perdas salariais, 13º salário e outros benefícios. Agora, o governo começa a fazer os pagamentos, escalonados, através de precatórios. Não se tem informações sobre os valores totais, mas apenas no câmpus de Toledo são aproximadamente R$ 1,7 milhão.
O montante é o maior entre os câmpus. Entre os que já receberam está o professor Erneldo Schallemberger, hoje reitor da Unioeste. Erneldo recebeu cerca de R$ 40 mil e, segundo Januir Vieira Filho (também beneficiado), presidente do Sinteoeste, há valores individuais de até R$ 57 mil, cujo recebedor ele prefere não identificar. Januir Vieira Filho relata que havia sido decidido em assembléia que, dos valores individuais, seriam destinados 10% dos não-sócios e 5% dos associados para o sindicato.
Depois, foi decidido pelos percentuais de 5% e 3%, mas muitos beneficiados que já receberam ‘‘não estão repassando o que foi combinado’’, diz Januir. Ele preferiu não fornecer a lista dos envolvidos nas ações e pediu à Folha que procurasse o assessor jurídico do sindicato, Ronaldo Barbosa, ‘‘para outras informações’’. Barbosa não foi encontrado e não retornou ao recado pedindo contato com a reportagem. A versão da reitoria para o caso foi dada pelo chefe de gabinete, Sílvio Colognese (que era professor em Toledo e recebeu R$ 16 mil).
‘‘As ações foram legais, e quem decidiu foi a Justiça’’, frisou Sílvio, acrescentando que a parte do Sinteoeste ‘‘é na verdade uma doação que faremos, mas, embora tenhamos tentado discutir o assunto com o sindicato, ainda não tivemos oportunidade de fazê-lo’’. O chefe de gabinete disse porém que o assunto ‘‘estranhamente’’ vem à tona num período de complexas negociações sobre a autonomia das universidades estaduais, e quando iniciam-se discussões sobre a sucessão na reitoria (a última eleição foi marcada por muitos conflitos).
Alunos reclamam que faltam professores, equipamentos e até material de uso diário, e segundo Sílvio Colognese, ‘‘parece haver tentativa de vincular as ações à falta de recursos’’, o que caracterizaria ‘‘um denuncismo que geralmente se repete em períodos críticos na instituição’’. O chefe de gabinete salienta que as ações foram formalizadas, ‘‘quando nenhum de nós tinha cargo na reitoria’’, por isso rechaça a exploração do caso e sua confrontação com a atuação dos diretores na busca de maiores recursos para a Unioeste junto ao Estado.

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