Curitiba - Na Capital paranaense, três padres resolveram assumir a profissão de motorista para poder exercer a vocação religiosa. São os padres da Pastoral Rodoviária, que nasceu em 1976, em Ponta Grossa. Foi o padre Miguel Litwaka quem teve a idéia de criar a pastoral, para permitir que os caminhoneiros pudessem participar das atividades da igreja, mesmo enquanto estão na estrada.
''Quando começamos, a intenção do bispo de Ponta Grossa, Dom Geraldo Pellanda, era criar uma capela só para os caminhoneiros e um centro de atendimento a eles. Mas eu logo vi que não daria certo. Era preciso estar na estrada com eles'', conta o padre.
Em 1976 foram feitas só três missas na estrada. Foi no ano seguinte que a Pastoral realmente deslanchou. No início a atuação da Pastoral ficou concentrada na região de Ponta Grossa, considerada a capital nacional dos caminhoneiros, devido ao grande número de motoristas, e Curitiba. ''Com a ampliação do sistema rodoviário do Paraná, pudemos ampliar a nossa atuação'', conta o religioso. E no final daquele ano a Pastoral já chegava a todas as estradas no Estado. Naquela época o padre viajava de carro.
O trabalho foi sendo bem aceito pelos caminhoneiros e o padre Mário precisou de ajudantes. Hoje, além dele, a Pastoral conta com os padres Miguel Staron e Germano Nalepa. Com o reforço na equipe, as fronteiras paranaenses deixaram de ser o limite para o trabalho. Padre Germano viaja inclusive para o Nordeste do País e o padre Miguel costuma ficar com a Região Norte.
A forma de trabalho também mudou. Hoje os padres contam com caminhões para fazer as viagens. Na corroceria, no entanto, em vez de grãos, madeira, frutas, verduras ou legumes, eles levam um altar. E é neste altar que celebram as missas, quando param em postos de combustível e restaurantes que concentram os motoristas.
Padre Mário considera que a simples presença de um padre entre os caminhoneiros é o principal benefício que a Pastoral pode oferecer. ''Eles não se sentem mais perdidos, à toa na estrada. Eles sabem que em nome de Deus estamos com ele e que ele (o caminhoneiro) tem valor'', reflete o religioso.
Em quase 30 anos viajando pelas estradas do Brasil, padre Mário conta que já teve dias em que rezou missa para cinco ou seis caminhoneiros. Em compensação, teve ocasiões em que conseguiu reunir mais de 2 mil viajantes. Além das missas, o padre conta que é comum os caminhoneiros procurarem os religiosos simplesmente para conversar e pedir um conselho.
O desafio da Pastoral agora, segundo o padre, é estimular o cooperativismo e o sindicalismo entre os caminhoneiros, para que a categoria possa ser organizar mais e consequentemente melhorar sua condição de trabalho.
Hoje, o Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos promove uma série de de atividades para a categoria, como bênção das chaves, às 11h30 e almoço. As comemorações acontecem na sede do sindicato, na Rua Vicente Michelotto, 3.450, na Cidade Industrial de Curitiba.
Os caminhoneiros que circularem pelo trecho da BR-277 entre Curitiba e Litoral receberão orientações sobre segurança no trânsito e direção defensiva. A ação, que também faz parte das comemorações pelo Dia do Caminhoneiro e Dia de São Cristóvão, será realizada pela Concessionária Ecovia Caminho do Mar em parceria com a Federação das Empresas de Transportes de Cargas do Paraná e o Sindicam.

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