Maringá – A Arquidiocese de Maringá suspendeu ontem por tempo indeterminado dois padres do ministério sacerdotal após a confirmação da paternidade dos religiosos, por meio de uma investigação interna e exames de DNA.
Zenildo Megiatto, de 65 anos, era pároco da paróquia Bom Pastor em Mandaguari (Região Metropolitana de Maringá) há cinco anos e Rildo da Luz Ferreira, de 35 anos, era vigário da paróquia Bom Jesus de Aquidaban, distrito de Marialva.
Megiatto será pai de uma menina que irá nascer em março e admitiu a paternidade ao longo da investigação. Já Ferreira descobriu a paternidade de uma criança de 1 ano por meio de um teste de DNA.
A Arquidiocese de Maringá publicou nota assinada pelo arcebispo d. Anuar Battisti sobre o caso. "Lamentamos profundamente o ocorrido e, dentro de uma postura de transparência fortalecida com a as ações de abertura do papa Francisco, o que tenho a dizer é que qualquer eventual erro do nosso clero deverá sempre ser tratado de acordo com as normas do direito canônico. Que neste caso prevê a suspensão imediata do ministério sacerdotal", escreveu o arcebispo.
Em virtude da suspensão, os padres não recebem salários e não têm direito de morar na casa paroquial. Ambos podem voltar ao sacerdócio quando os filhos completarem 18 anos, desde que tenham esse desejo e não estejam convivendo maritalmente com as mães das crianças.
Zenildo Megiatto foi ordenado padre em 1986 e é natural de Mandaguari. De acordo com ele, o assunto deveria ter sido discutido de uma outra maneira que não camuflasse uma realidade presente dentro da Igreja Católica. "Uma decisão como essa não ajuda em nada e soa a hipocrisia. A questão do celibato tem que ser discutida e deveria ser revista já que pode acontecer com tantos outros. Não é assim que se vai resolver o problema", frisou.
A mãe da filha de Megiatto frequenta a paróquia Bom Pastor e, segundo o próprio padre, o casal não irá viver junto, mas vai dividir as responsabilidades na educação e criação da menina. "Cada um segue a sua vida e eu vou continuar sendo padre, apesar de não poder exercer", ressaltou. Megiatto garantiu que não vai continuar residindo em Mandaguari. De acordo com a Arquidiocese de Maringá, o padre Rildo da Luz está fazendo doutorado na França.

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