Padre proibido nega ser dissidente
Paulo Pegoraro
Edson MazzettoPartida
Padre Lauri Wollmann, acompanhado
de pessoas
que se
solidarizam
com ele:
nem
seguidores,
nem
dissidentesO padre Lauri Wollmann, 40 anos, proibido de atuar na Arquidiocese de Cascavel, porque não se enquadraria em orientações superiores, disse ontem que está indo embora por se sentir ‘‘enxotado por setores do clero’’, pelo fato de ter ‘‘pensamentos próprios’’. Lauri Wollmann nega ter aberto uma dissidência da liderança local da Igreja. Um grupo de católicos assistia celebrações de missa num barracão da associação de moradores do bairro Vila Cancelli, na zona norte de Cascavel.
Procurado pela Folha segunda-feira para comentar críticas que fez a outros padres e acusações que lhe eram dirigidas, Lauri Wollmann havia se recusado a falar, alegando que ‘‘a Imprensa está a serviço do padre Sandro Cortese’’, o assessor de comunicação da Arquidiocese. Ontem, procurou o Jornal para se queixar que ‘‘só ele (Cortese) apareceu falando o que quis’’ na reportagem sobre a situação dos fiéis da Vila Cancelli.
Menos alterado, ele disse então que não abriu dissidência. ‘‘Continuo católico’’, justificou. Disse ainda que não tem rezado missas no salão comunitário, ‘‘apenas celebrações’’, e que não tem seguidores. As pessoas que participam das celebrações e estudos bíblicos são ‘‘apenas solidárias de uma mesma causa’’, afirmou. Padre Lauri diz que está sendo ‘‘enxotado’’ por valorizar os leigos.
O religioso lembrou que a assembléia dos bispos brasileiros, realizada recentemente em Itaici (SP), ‘‘reforçou a necessidade de plena participação dos leigos nas ações da Igreja’’. Segundo depoimentos de pessoas do bairro Cancelli, publicados ontem pela Folha, Lauri Wollmann estaria sendo perseguido pela forma diferente de agir, ‘‘esclarecendo o povo para que aprenda a verdade da Bíblia e seja independente’’.
Segundo Sandro Cortese, porta-voz da Arquidiocese, Lauri ‘‘jurou obediência à hierarquia e às normas da Igreja, mas não cumpriu’’. Cortese afirmou ainda que o padre teve problemas também em sua atuação em Chapecó (SC). Lauri Wollmann afirma que os problemas em Chapecó foram os mesmos de Cascavel, ‘‘com setores do clero’’. Ele garantiu já ter ‘‘outra Diocese para atuar’’ mas preferiu não identificá-la.

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