Com o Santuário São José lotado, centenas de pessoas assistiram no sábado, em Apucarana, a uma celebração realizada no rito afro-brasileiro. O apucaranense Devanil Ferreira, que atua na arquidiocese de São Paulo, foi ordenado padre numa celebração completamente diferente das tradicionais missas que os católicos estão acostumados a participar.
A ordenação, presidida pelo bispo-auxiliar da Arquidiocese de Salvador (BA), dom Gílio Felício, mostra a aculturação da Igreja Católica, seguindo orientação do Vaticano, que busca valorizar as comunidades de acordo com suas culturas.
Dom Gílio, que é o primeiro bispo negro da Igreja Católica do Brasil, explica que o Papa João Paulo II quer uma ‘‘evangelização aculturada’’, ou seja, que passe pela cultura de todos os povos. ‘‘Isso já aconteceu em relação aos gregos, romanos, italianos e, por que não passar pela cultura africana?’’
Odair StralliottiTerra da famíliaO padre Devanil Ferreira, que escolheu Apucarana para sua ordenaçãoDe acordo com o bispo, a cerimônia afro-brasileira segue o rito romano, mas é enriquecida com valores das culturas afro-descendentes, com destaque para os cânticos, danças, símbolos e o modo de orar. ‘‘Todos estes aspectos visuais, somados às vestes dos celebrantes e decoração do altar, trazem elementos que despertam as pessoas para a necessidade de construirmos uma sociedade plurirracial e mais fraterna, defendida pelo Papa’’, argumenta dom Gílio.
O padre Devanil Ferreira, que também é negro, justifica que escolheu Apucarana para sua ordenação, por ser a terra de sua família. Ele conta que começou a atuar como coroinha aos nove anos na Catedral Nossa Senhora de Lourdes, em Apucarana, e que mais tarde, quando confirmou sua vocação para a religiosidade, seguiu estudos em Ourinhos (SP) e Curitiba.
Ao lado do bispo auxiliar de Salvador, o ex-diácono já vem atuando no Instituto Mariano, que reúne padres, bispos e diáconos negros de todo o país. Um dos objetivos do instituto é favorecer e dar mais espaço aos negros dentro da Igreja Católica.Odair StralliottiNada tradicionalCerimônia segue rito romano, mas é enriquecida com valores das culturas afro- descendentes, com destaque para cânticos e dançasMaurício Borges

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