O padre Carmel Bezzina, 63 anos pároco da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, mais conhecida como ''Dom Bosco'', morreu atropelado ontem, em frente à igreja, ao atravessar a avenida Maringá (Zona Oeste). Ele pretendia abençoar uma agência recém-inaugurada da Caixa Econômica Federal.
Segundo testemunhas, por volta das 9 horas, padre Carmel estava parado entre as duas pistas da Maringá, esperando para atravessar, quando foi atingido por uma motocicleta. De acordo com o Corpo de Bombeiros, o motociclista Gilmar Siqueira, 43 anos, seguia na direção da Rua Goiás e teria desviado de uma Kombi que estava estacionando. Ao atingir o pároco, o motociclista caiu, sofrendo apenas ferimentos leves.
Já padre Carmel foi jogado a alguns metros de distância, sofrendo traumatismo craniano. Ele foi encaminhado para a Santa Casa de Londrina. Segundo a assessoria de imprensa do hospital, o pároco foi submetido a cirurgia e morreu no final da tarde na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
O acidente provocou revolta de membros da paróquia, que classificam como ''perigosíssimo'' o trânsito da Avenida Maringá, especialmente no trecho da paróquia (esquina com a Rua Dom Bosco).
''Tinha um semáforo aqui, que foi retirado. É uma avenida que tem muito tráfego o dia inteiro, e todos nós sofremos para atravessar. É muito comum que os pedestres fiquem parados entre as pistas, como ocorreu com o padre Carmel'', observou a catequista Anilcia de Souza Soares.
Ao lado da igreja, existe uma escola particular que atende alunos de educação infantil a 8série. Crianças também frequentam a paróquia diariamente para cursos de catequese.
Para o engenheiro civil Rineu Bechelli, membro da paróquia e dono de um escritório na mesma avenida, o acidente é fruto de ''incompetência da administração pública''. ''Essa é a avenida mais importante da cidade fora do Centro. Os acidentes são diários. Quando tentaram instalar a Zona Azul na avenida havia 'quinhentos' guardas aqui. Como não conseguiram arrecadar, tiraram todos os guardas. Daí você vê que a preocupação da prefeitura é meramente econômica, e não com a vida das pessoas'', criticou.
O gerente de trânsito da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Álvaro Grotti, comentou que não tinha conseguido apurar as circunstâncias do acidente com seu pessoal de rua mas opinou que o padre pode ter tentado atravessar a rua no meio da quadra, já que os prédios da igreja e a agência bancária ficam quase em frente um do outro.
Ele descartou a colocação de radares ou semáforos na avenida, ''porque não há demanda'', e disse que será feita a manutenção da sinalização. ''Infelizmente foi uma fatalidade'', concluiu.

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