Padre forma dissidência com fiéis
Padre forma dissidência com fiéis
Paulo Pegoraro
Edson MazzettoAs missas do padre Lauri Wollmann são celebradas num salão comunitário da Vila Cancelli, aos sábados à noiteO padre Lauri Wollmann, 40 anos, e parte da comunidade católica do bairro Vila Cancelli, em Cascavel, abriram dissidência da liderança da Igreja Católica na arquidiocese. Ele está celebrando missas em um salão comunitário, embora tenha sido formalmente desligado da paróquia, onde estava desde 1994, e proibido de atuar na arquidiocese.
Muitos católicos não se conformam, argumentando que a medida não foi explicada e que o padre Lauri está sendo perseguido por adotar práticas diferentes dos demais padres, estimulando discussões entre a comunidade.
As missas são celebradas nas noites de sábado. Embora com intenso frio, no sábado passado 150 fiéis participaram da celebração. Pessoas da comunidade procuraram a Folha para relatar o que consideram injustiça com o padre, que havia feito críticas agressivas ao comando local da Igreja.
Segundo o padre Lauri, eles seriam ligados à elite econômica, burra mas manipuladora, e participam de festas e banquetes com famílias endinheiradas. À Folha, padre Lauri disse que não mais falaria no assunto.
Palmira Duarte, 42 anos, uma das seguidoras do padre, afirma que ele é perseguido pela forma diferente de agir. A abertura que ele dá aos leigos não interessaria a outros padres da diocese, disse.
Na escola bíblica coordenada pelo padre Lauri as pessoas aprendem que não se deve ficar esperando que Deus faça tudo por nós, pois temos que nos organizar e lutar para que as coisas aconteçam, disse Elisamir Marcon, 40 anos.
Os seguidores do padre dizem ter encaminhado ao arcebispo dom Lúcio Baumgaertner documento com 1.600 assinaturas contestando o afastamento, mas não receberam explicação objetiva. No documento, os assinantes dizem que querem uma Igreja de comunhão e participação, e não uma Igreja de imposição, que não ouve a voz das comunidades.
O padre Sandro Cortese, assessor de comunicação e porta-voz da arquidiocese de Cascavel, disse que prefere não polemizar, mas relatou que o padre Lauri Wollmann jurou obediência à hierarquia e às normas de conduta da Igreja, mas deixou de cumprir o juramento.
Ele veio precedido de muitos problemas em Chapecó (SC), onde atuou, e teve uma nova chance aqui. Mas preferiu se distanciar da Igreja. Sandro Cortese disse que atos praticados pelo padre Lauri não têm nenhum valor formal para a Igreja, o que incluiu celebrações, batizados e outros procedimentos.





