Durante a prisão de 11 sem-terra, entre eles dois adolescentes e um padre da comunidade Humanitas, Clóvis Almeida, 27 anos, a Polícia Militar recolheu do acampamento sete espingardas, dois revólveres e uma cinta com munição. O delegado Laércio Cardoso Fahur, de Curiúva, designado somente para a autuação dos sem-terra, evitou qualquer comentário a respeito. Ele passou o dia de ontem tomando o depoimento dos sem-terra.
O grupo foi autuado por porte ilegal de armas e formação de quadrilha, por incentivar a invasão de propriedade particular. O delegado não revelou o nome dos detidos. O advogado da Rede Autônoma dos Advogados Populares do Paraná, Gerson da Silva, viajou ontem a Curiúva para negociar a liberação dos sem-terra. Até o início da noite ele não havia conseguido êxito. O MST acredita que as negociações retomam somente na terça-feira, quando a Justiça volta a atender normalmente.
De acordo com esclarecimento à imprensa divulgado ontem pela Secretaria de Segurança Pública do Paraná, foram presos durante a operação os acampados Jaci Gonçalves, Nelson Pascoal Dermarque, João Valdevino da Silva, Gevaldo João da Silva, José Barbosa da Luz, Valmir Ferreira de Paula, Miguel Pereira Camargo e José Lopes. O esclarecimento não faz referência a outros três nomes.
Cerca de 40 famílias retiradas do acampamento foram alojadas no Ginásio de Esportes de Sapopema e até por volta das 17h30 de ontem não haviam almoçado. Dezenas de crianças estão entre as pessoas alojadas. Algumas das famílias disseram que não foram avisadas que deveriam deixar a área. Membros do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, por outro lado, informaram que, após a desocupação, alguns barracos foram incendiados por policiais militares.
A maioria dos alojados disse também que não houve troca de tiros durante a desocupação. Mas algumas pessoas reclamaram de truculência por parte de policiais.Mário CesarEspingardas e revólveres apreendidos ontem no acampamentoAlexandre Sanches e
Luciane Tonon

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