O padre Marco Tulio Simonini, 51 anos, está preso desde a noite de domingo sob a acusação de ter molestado uma menina de sete anos na piscina de um clube, na Zona Leste da Londrina. Ontem, ele recebeu a vista de familiares, de membros da Pastoral Carcerária e do reitor do seminário onde morava, padre Rafael Solano. ''A igreja reagiu com profunda dor, estamos esperando entendimento da Justiça civil. Queremos que as coisas fiquem esclarecidas, pedimos que esta situação tenham um final feliz e justo'', destacou padre Solano.
De acordo com o padre Solano, Simonini foi ordenado padre há dez anos. Ele foi vigário paroquial em Tamarana, Rolândia e em Prado Ferreira, todas no Norte do estado. Conforme Solano, ele voltou para Londrina no início do ano passado porque não estava bem de saúde. Por conta de um quadro de infecção crônica de uma depressão, ele pediu afastamento de suas atividades na igreja, o que foi autorizado em julho de 2010.
Conforme o padre Solano, a partir desta data Simonini estava dispensado de suas funções, mas continuava morando no Seminário Paulo VI. ''É uma questão de caridade, ele encontrava-se em dois tratamentos de saúde delicados e não tinha para onde ir'', afirmou.
Ainda de acordo com Solano, o padre já havia frequentado o clube de campo, onde o caso foi registrado. ''Durante a semana ele não saía do seminário, mas nos finais de semana gostava de pedalar e umas três ou quatro vezes me disse que estava indo neste local'', disse. Ele destacou que a igreja é rigorosa e que esta é ''uma realidade profunda que fere o clero em todas as dimensões''.
O padre afirmou que, mesmo se for considerado inocente, provavelmente Simonini não irá mais morar no seminário. ''Primeiro porque agora a família assumiu a situação dele e em segundo lugar penso que o homem que vi hoje se encontra bastante constrangido e ficaria incomodado de voltar a morar em um lugar onde tantas pessoas frequentam como o Seminário'', destacou. ''Nunca o vi agressivo e nem impulsivo, mas a igreja não tinha expectativa de que ele voltasse ao sacerdócio. Ele manifestou várias vezes que não tinha interesse''.
Para o padre Solano, a pedofilia é a grande ferida da igreja. ''Se um padre é acusado de molestar uma criança a atitude da igreja é de suspender imediatamente este padre. Neste caso ele já estava suspenso por vontade própria'', disse. Ele afirmou que o conflito que envolve a moral sexual é tratado abertamente com os seminaristas. ''Se os fatos se deram desta forma como estão falando, sinto muito por ele porque o considero um homem bom''.
Flagrante
De acordo com o capitão Ricardo Eguedis, da Polícia Militar, funcionários do clube na Zona Leste acionaram a polícia pouco antes das 20 horas de domingo, porque o padre estaria tocando a criança. Ele foi encaminhado à 10 Subdivisão Policial (SDP) e autuado em flagrante por estupro de vulnerável, cuja pena é de reclusão de oito a 15 anos. O crime se caracteriza pela prática de qualquer ato libidinoso com menor de 14 anos.
Ontem à tarde, a defesa de Simonini entrou com pedido de relaxamento de prisão no Fórum de Londrina. Até o fechamento da edição, o pedido não havia sido julgado. De acordo com o investigador Luciano Romero, do 2º Distrito Policial (DP), o padre está em um local separado dos demais presos. Ele informou que Simonini seria transferido para outra unidade porque tem curso superior em Teologia.
No ano passado, outra prisão de padre foi registrada na região de Londrina. Em maio de 2010, o padre Silvio Andrei foi detido por policiais militares, acusado de ato obsceno, embriaguez ao volante e corrupção ativa. (Colaborou Marilayde Costa/Redação Bonde)

Ouça trechos da entrevista do padre Rafael Solano:

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