Marcos NegriniNa paróquiaO pároco Walenty Nogly, 59 anos: ‘‘O altar é lugar sagrado’’O padre da Paróquia São Pedro Apóstolo, Walenty Nogly, de 59 anos, poderia passar despercebido como ‘‘mais um pároco’’ se não fosse um detalhe: ele também é fotógrafo em Nova Tebas e chega a fotografar e filmar casamentos e batizados que ele mesmo realiza. Nada de fotos, no entanto, durante a cerimônia. ‘‘Só tiro as fotos, se as pessoas pedirem, depois da cerimônia’’, esclarece Nogly, um polonês que chegou ao Brasil há 23 anos e que chegou a conhecer no seminário de Cracóvia o papa João Paulo II quando este ainda era bispo.
O padre de Nova Tebas conta que sempre gostou de fotografar e que a existência de padres-fotógrafos já foi algo bem mais comum. ‘‘Antigamente não existiam fotógrafos nas cidades do interior e os padres acabavam fazendo o trabalho’’, explica. O que fazer, no entanto, se os noivos, por exemplo, quiserem tirar uma foto ao lado do padre? ‘‘Aí fica difícil’’, diz Nogly. ‘‘E nem adianta dar a máquina para outra pessoa bater a fotografia porque acaba saindo gente com a cabeça cortada na foto’’, ressalta.
Mas nem só de batizados e casamentos, no entanto, vive o padre-fotógrafo. Ele faz questão de registrar todos os eventos e aspectos do município, incluindo sessões polêmicas da Câmara de Vereadores. Nogly registra a história das cidades onde trabalha desde que chegou a Quedas do Iguaçu, na sua primeira paróquia. Quando muda de cidade, deixa o acervo na paróquia.
Nogly só não gosta de misturar o sacerdócio com a fotografia. Na hora de posar para a Folha, por exemplo, nada de foto dentro da igreja junto com a máquina fotográfica. ‘‘O altar é um lugar sagrado’’, frisa. Com o equipamento fotográfico na mão, ele só se deixa fotografar do lado de fora da paróquia. No altar, a batina é obrigatória e a máquina proibida. (S.S.)

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