Padre carismático é exonerado do clero
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quinta-feira, 23 de agosto de 2001
Erika Wandembruck<BR>De Curitiba 
A partir do próximo dia 31, o polêmico padre carismático Roque Wendt, da paróquia São Gabriel, em Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba, deixa de fazer parte do clero da Arquidiocese de Curitiba, que compreende 25 cidades e 151 paróquias. O motivo da exoneração foi não obedecer a ordem do arcebispo Dom Pedro Fedalto. Por dois meses, ele continuou celebrando missas carismáticas, em que realizava exorções, milagres e curas.
O próprio padre teria pedido o afastamento do cargo quando foi ordenado a ministrar missas tradicionais. ''Mas ele voltou atrás e pediu para ficar. No entanto, a demissão é irrevogável. Além disso, ele continuava rezando missas carismáticas, desrespeitando as ordens da Igreja'', justificou o
coordenador-geral da arquidiocese de Curitiba, padre Elmo Heck.
Conforme Heck, no final de julho, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) proibiu que fossem ministradas missas carismáticas nas igrejas de todo o País. ''Porque dá margem ao sincretismo e a escândalos, além de não seguir a liturgia católica'', explicou. O estopim para a demissão começou quando padre Roque destituiu 170 catequistas, convocando outros 20 que seguiam a sua linha ideológica e religiosa. Os novos catequisadores estariam ensinando as crianças da paróquia a orarem em outras línguas, conforme Heck. Os carismáticos acreditam que quando ungidos pelo Espírito Santo, ele se apodera das mentes, fazendo-os orarem em línguas desconhecidas.
O futuro de padre Roque é incerto. Ele já se mudou da paróquia e está morando na casa de um irmão em São José dos Pinhais, também na região de Curitiba. O padre afirmou que irá, nos próximos dias, ao Vaticano pedir a interferência do Papa a fim de legitimar suas missas de curas, nem que seja em paróquia pertencente a outra arquidiocese. ''Meus inimigos estão se levantando contra mim. Mas Deus está ao meu lado'', disse. Enquanto o prazo não expira, ele continua levando multidões de mais de 5 mil pessoas, de todas as regiões, às suas missas, às quartas-feiras.
''Fiquei muito triste com a saída de padre Roque. As missas celebradas por ele libertam. Os fiéis participam, sentem a presença do Espírito Santo. Já nas tradicionais, a gente assisti e acompanha a leitura do folheto ''domingo'' pelo sacerdote. É cansativo'', esclareceu Márcio da Cruz, secretário da paróquia.
Padre Roque foi transferido de Piraquara, também na Grande Curitiba, para aquela cidade em janeiro desde ano por conta do seu estilo ''transgressor''. Não foi aceito pelos católicos mais tradicionais de Fazenda Rio Grande. Por este motivo, para a Igreja, ele não está cumprindo o seu papel de ''pastor do rebanho, pois deixa a comunidade dividida''.


