Padrasto nega ser assassino. E acusa prostituta
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quarta-feira, 27 de novembro de 1996
Adriana De Cunto 
O vendedor ambulante Francisco Camargo Carmona, 22 anos, acusado de espancar o menino Leonardo Henrique dos Santos, de um ano e sete meses, apresentou-se ontem de manhã à polícia.
A agressão aconteceu no dia 9 de novembro e a criança morreu na última sexta-feira, depois de ficar 12 dias em coma no Hospital Infantil de Londrina, com traumatismo craniano. O vendedor é padrasto da criança. Ele morava com a mãe de Leonardo, Erlaine Cristina de Paula Santos, 19 anos, no Hotel Stand, localizado na rua Pernambuco (centro), onde ocorreu o crime.
Francisco Carmona negou que tenha agredido o menino. Ele acusou outra moradora do Hotel Stand, uma prostituta chamada Raquel, de ter cometido o crime.
O ambulante contou que saiu do quarto alguns minutos para lavar uma toalha no tanque do hotel e, no caminho, teria visto Raquel saindo do quarto dela e entrando no quarto onde Francisco, Erlaine e Leonardo moravam. Quando voltou, o padrasto disse que encontrou a criança desmaiada na cama, respirando com dificuldade.
Segundo o vendedor ambulante, Raquel já teria reclamado do choro de Leonardo e ameaçado bater nele.
O ambulante afirmou à polícia que, logo após ter visto o estado da criança, saiu procurando socorro e teria parado um carro Fusca branco para levar Leonardo ao médico. Ele disse ao delegado que não fugiu após deixar a criança no hospital.
Francisco Carmona garantiu que esteve, desde o dia 9 de novembro, na casa da mãe, na rua Caetano Munhoz da Rocha, 194, vila Recreio (centro). A polícia no entanto, procurou o vendedor ambulante nesse endereço, mas ele não foi encontrado.
Francisco Carmona não quis falar à imprensa. O advogado dele, Donizete Antônio Zili, justificou que ele não se apresentou antes à polícia porque estava com medo da repercussão do crime junto à opinião pública. Zili afirmou que o acusado vai continuar morando na casa de sua mãe, à disposição da polícia. Francisco é casado e tem um filho de dois anos. Ele já foi indiciado em inquérito, por furto, na cidade de Ibaiti.
Segundo o delegado do 1º Distrito Policial, Edmo José Ermenegildo, que preside o inquérito, Raquel é o nome de guerra de Elza de Lima, 41 anos, vizinha de quarto de Francisco e Erlaine. Elza foi uma das testemunhas que acusou o ambulante de espancar Leonardo na madrugada do crime e bater a cabeça da criança na parede - a outra pessoa que viu a agressão foi José Miguel, 62 anos, morador do hotel Stand.
A mãe de Leonardo disse ao delegado que Francisco costumava bater no menino e, quando ela tentava socorrê-lo, também era agredida. Erlaine dos Santos está grávida e voltou a morar com a família, em Ibaiti.
O delegado Edmo Ermenegildo informou que não vai pedir a prisão preventiva de Francisco Carmona porque ele tem residência fixa. Ele disse que vai juntar o depoimento de Carmona ao inquérito e enviá-lo para a 1ª Vara Criminal de Londrina.


