Padaria comunitária ganha prêmio
Maigue Gueths
De Curitiba
Cinco mulheres que antes trabalhavam em casa e faziam trabalhos eventuais como domésticas, trabalham, hoje, diariamente na Padaria Comunitária na Vila Pantanal, no Alto Boqueirão, em Curitiba, recebendo por mês em média R$ 130,00. Fátima do Rocio de Paula Araújo, de 44 anos e mãe de dez filhos, conta que sua vida mudou drasticamente desde que começou neste novo projeto. Agora eu estou ajudando com a renda da família. Só de uniforme este ano foi R$ 210,00 e eu paguei tudo com o meu salário, conta orgulhosa.
Este projeto, que viabilzou a instalação da panificadora Comunitária e deu emprego a donas de casa na Vila, acaba de ser considerado o melhor programa na área social do Estado e agora vai participar da etapa nacional de premiação, concorrendo ao prêmio MobilizAÇÂO. que terá julgamento no Rio de Janeiro. O prêmio é patrocinado pelo Comitê das Entidades Públicas do Paraná (COep), com a finalidade de estimular ações no campo social. O projeto da Universidade Federal do Paraná (UFPR) foi escolhido entre 30 trabalhos concorrentes no Paraná.
A criação da padaria comunitária integra um programa bem mais amplo da UFPR. Trata-se do projeto Moradias Pantanal, que faz parte do programa Exercitando a Cidadania, coordenado pelo projeto de extensão universitária da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proec) da UFPR. O programa da padaria, em funcionamento há um ano, rende frutos para os dois lados. A Universidade ganha na formação acadêmica, já que os estudantes de Nutrição e Psicologia partipam orientando as famílias para trabalhar em grupo e na composição dietética dos produtos. Para as famílias, a produção ajuda na renda familiar.
As mulheres participaram de todo o projeto desde o início, em julho/98, conta a coordenadora do projeto Dulciléia Gonçalves Rodrigues, A Vila é uma área de invasão com cerca de 600 famílias, o que corresponde a 3,5 mil a 4 mil pessoas. O projeto de extensão prevê vários trabalhos junto à comunidade, como o acompanhamento de crianças e adolescentes pelos estudantes de Psicologia, educação de adultos pelos alunos de Pedagogia, projeto de hortas pelos alunos de Agronomia. Mas nós sentimos que o maior problema era a falta de renda e de trabalho, conta Dulciléia. Até agora, 12 mulheres passaram pela padaria, mas cinco acabaram dando certo. A procupação foi arranjar um local próximo às residências já que as mães não tinham creches para deixar seus filhos pequenos, organizar uma atividade que elas já soubessem fazer e que gerasse renda, conta.
Segundo Fátima, a produção média diária é de 50 pães caseiros, além de bolachas, pães doces, pães de legumes, doces, bolos e, no natal, panetones. Tudo é vendido dentro da própria comunidade e em escolas, condomínios e postos de saúde dos bairros vizinhos. À tarde elas trabalham na produção e no outro dia, as 7 horas, saem com os produtos em carrinhos para os bairros próximos. Agora nós queremos comprar mais um forno e uma amassadeira elétrica para poder produzir mais, diz Fátima.
O próximo passo no projeto da UFPR será a construção de uma granja para a criação de galinhas e venda de ovos a preço de custo. Além da parte econômica, o projeto vem alcançando outro resultado, que é a melhoria da auto-estima. As pessoas passaram a acreditar em si mesmas, destaca Fátima.





