Silvana Leão
O pronto-socorro da Santa Casa de Londrina interrompeu o atendimento ontem por estar superlotado e não ter estrutura suficiente - camas e macas, por exemplo - para receber mais pacientes. Ontem de manhã, os corredores estavam lotados, com pacientes sendo atendidos até em cadeiras (um deles dormia sentado enquanto a atendente de enfermagem verificava o soro). O pronto-socorro tem 18 vagas. Atualmente, o setor está com 52 pacientes internados.
De acordo com o chefe do Serviço de Pronto-Socorro do hospital, Sérgio Canavese, o setor tem enfrentado dificuldades constantemente, mas desde o final de maio a situação tem se agravado. Ontem, chegou ao limite da improvisação. ‘‘É horrível porque o paciente não é bem atendido como deveria, os profissionais ficam estressados e o risco de erros aumenta significativamente’’, afirmou o médico.
Segundo ele, três pacientes em estado grave, que deveriam estar sendo atendidos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), estão internados na sala de emergências. Um deles é uma mulher que tentou suicídio anteontem, ingerindo soda cáustica.
As UTIs dos hospitais terciários (aqueles capazes de atender casos mais complexos) de Londrina recebem, de acordo com Canavese, pacientes de várias cidades da região, o que contribui para a superlotação. Além disso, lembra, falta melhor organização no fluxo de pacientes nestes hospitais maiores para que casos mais simples, que poderiam ser atendidos nos hospitais secundários, ou mesmo nas unidades básicas (postos de saúde), não ocupem o lugar de casos que exigem atendimento mais especializado.
‘‘Por isso, estamos pedindo para que, em casos clínicos, as pessoas procurem primeiro os postos, que as encaminharão para um dos hospitais, se necessário’’, disse Canavese. O médico informou que o Transporte Emergencial Centralizado (TEC) e o Siate já foram informados para só levarem para a Santa Casa os pacientes com reais riscos de vida, como os esfaqueados, baleados e politraumatizados (por exemplo vítimas de acidente de trânsito).Pronto-socorro tem 18 vagas, mas atualmente está com 52 pessoas internadas; direção suspende atendimento no setor
Josoé de CarvalhoImprovisaçãoCrise se agravou no final de maio, quando até corredor do PS passou a ficar lotado de doentesJosoé de CarvalhoSérgio Canavese, chefe do pronto-socorro: dificuldade constante

mockup