Uma portaria do Ministério da Saúde sobre a entrega do medicamento Eritropoietina - ou Eprex, como é conhecido comercialmente - tem preocupado a Associação das Senhoras Voluntárias do Hospital Universitário (HU), que auxilia pacientes renais crônicos atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Londrina. O remédio substitui a necessidade de transfusão sanguínea para os pacientes que fazem a hemodiálise.
A partir de agora, o paciente terá de fazer um cadastro junto à 17ª Regional de Saúde, na avenida Leste-Oeste, e a cada três meses se deslocar até o local para buscar a cota necessária no período. Antes, o medicamento era enviado a todos os locais que fazem hemodiálise - clínicas e hospitais da Cidade.
Hezir Thomas da Cruz, presidente da Associação, acredita que a nova medida vai dificultar a vida dos renais crônicos, principalmente aqueles de baixa renda e com debilidade física. ‘‘Muitos pacientes têm o passe de ônibus contado para ir até o hospital e voltar para casa’’, preocupa-se.
A presidente conta que a Associação tomou conhecimento do novo procedimento na terça-feira, quando chegou a propor à Regional oferecer uma pessoa para retirar esse medicamento e encaminhar diretamente aos hospitais, sem necessidade do doente ter que se deslocar. Mas, segundo ela, a proposta não foi aceita.
‘‘Achamos isso um absurdo, porque nem todo doente tem boa saúde para sair e buscar o remédio. E eles saem muito debilitados da máquina, com a pressão baixa. Alguns realmente não têm condições de se movimentar’’, observa. ‘‘Com essa medida, estão dificultando o acesso às boas condições de saúde das pessoas’’.
Hezir da Cruz explica que, após a hemodiálise, normalmente feita três vezes por semana, muitos componentes essenciais na qualidade do sangue são exterminados. Daí a debilidade dos pacientes após o processo e a necessidade do Eprex, que substituiu essas substâncias sem necessidade de transfusão. A transfusão, por outro lado, poderá impossibilitar um futuro transplante de rim. A presidente da Associação lembra ainda que, para retirar o medicamento na Regional, o doente terá que levar isopor com gelo, já que o remédio tem que ficar numa temperatura entre dois e oito graus Celsius.
A chefe da Divisão de Assistência à Saúde da 17ª Regional, Rosilene Aparecida Machado, explica que o novo procedimento atende portaria que regulamenta a Apac - ou Autorização de Procedimentos de Alta Complexidade -, implantado no último mês. Segundo ela, como o caso é de pacientes do SUS, a regra é nacional e a Regional não tem autonomia para alterá-la. ‘‘Esse sistema está sendo implantado agora e, como era de se esperar, apresenta alguma dificuldade. Mas acho que em três meses tudo já estará funcionando normalmente.’’
Rosilene Machado, no entanto, acredita que o novo sistema deverá dar maior segurança aos cerca de 200 pacientes cadastrados em Londrina e região porque vai racionalizar a distribuição dos medicamentos. Ou seja, cada doente vai receber a dose necessária, sem haver desperdício ou risco de falta do produto.
Rosilene Machado explica que, a partir de agora, o cadastro dos pacientes será informatizado e estará disponível em todo o Brasil. Isso significa, por exemplo, que se um paciente de Londrina estiver fora da Cidade e necessitar do medicamento, poderá requisitá-lo através do sistema de saúde. ‘‘Todas as clínicas já foram treinadas para a implantação do Apac’’, acrescenta.
Sobre as dificuldades que alguns doentes poderão ter em se deslocar, principalmente os que apresentarem debilidade física, Roseli Machado garante que a Regional vai procurar encontrar a melhor saída, como por exemplo uma procuração do paciente a algum familiar ou mesmo à Clínica para retirar o medicamento. Ela garante:‘‘Toda a nossa tentativa é para que o paciente não sofra nada.’’

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