Cláudia Lopes
De Londrina
Os doentes com hepatite também sofrem com o preconceito. Por se tratar de vírus, muita gente acredita que a contaminação pode acontecer pelo ar. Há algumas décadas, os pacientes com hepatite A ficavam de ‘‘quarentena’’ em casa. A transmissão, neste tipo de hepatite, se dá apenas pela ingestão de água e alimentos contaminados.
Já a hepatite B e C é transmitida por transfusão de sangue, contato sexual e materiais perfurocortantes como agulhas e bisturis. Como no Estado o problema é endêmico, a transmissão vertical – de mãe para filho – é uma das principais formas de transmissão.
‘‘A maioria dos pacientes tem vergonha de dizer que tem a doença porque poderiam ser considerado promíscuo. Eles não querem se expor’’, disse a secretária de um infectologista.
A dificuldade para encontrar pacientes que falem naturalmente sobre a doença é grande. Apesar da lista de pessoas com hepatite ser extensa no ambulatório de moléstias infecciosas do HC, pouca gente quis dar depoimento sobre o assunto e somente dois pacientes se deixaram fotografar no local.
‘‘Falo mas não quero sair em foto’’, impôs Walter Libório, de 44 anos, que aguardava atendimento no hospital. Contaminado pelo vírus B, ele já apresenta quadro cirrótico. O técnico de segurança do trabalho, Odair Batista, de 26 anos, também preferiu não ter sua imagem divulgada. Portador do vírus B, o paciente descobriu a moléstia em setembro passado, ao doar sangue.
Em sua terceira consulta, Batista ainda não descobriu se é apenas portador assintomático do vírus. ‘‘Os médicos estão investigando se há algum risco para tentar neutralizá-lo’’, disse, que não sabe como foi contaminado.
A dona-de-casa Elza Pereira, de 65 anos, descobriu que tinha cirrose há três anos, durante uma cirurgia para retirada de vesícula. Mas ainda não sabe qual é o tipo do vírus. ‘‘O médico disse que é raro. Já está confirmado que não é o B nem o C’’, revelou. Uma das possibilidades da contaminação foi uma transfusão de sangue feita há 50 anos, logo após o parto de uma filha. Por causa da cirrose, Elza diz não ter apetite e se queixa de cansaço constante.

REMÉDIOS NÃO SÃO PARA TODOS
Critérios de exclusão do protocolo de medicamentos excepcionais da secretaria estadual para Interferon Alfa e Ribavirina:
- Cirrose hepática
- Anti-HIV reagente
- Doença autoimune hepática presente
- Carcinoma hepatocelular
- Gravidez (Beta HCG positivo)
- Idade inferior a 15 e superior a 65 anos
- Neoplasia ativa
- Doença psiquiátrica – psicoses, esquizofrenia, depressão profunda sem - - - condições de controle clínico
- Transplantados – exceto fígado e medula ósseaApesar da transmissão não acontecer pelo ar, parentes e amigos dos doentes têm medo de serem contaminados
Josoé de CarvalhoCONTAMINAÇÃODona Elza, durante consulta no Hospital das Clínicas em Londrina: tipo raro adquirido em transfusão de sangue há 50 anos

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