Pacientes também criticam a conduta dos profissionais
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terça-feira, 31 de outubro de 2000
De Curitiba 
Se os médicos do trabalho se acham injustiçados, os pacientes também reclamam da conduta deles. A bancária J.T., 34 anos, diz ter precisado de uma licença, há dois anos, para tratar de uma lesão muscular no braço direito. O ferimento foi causado pelo esforço repetitivo durante a digitação de números. O médico do trabalho que a atendeu negou o pedido de afastamento. J.T. teve que voltar a trabalhar, apesar da dor constante que sentia. Ele me tratou muito mal, afirma.
Para o bancário Rubens Romário Cubas de Lima, 34 anos, os médicos das empresas não devem olhar apenas o lado profissional deles, mas levar em conta a situação difícil de um ser humano. Lima conta que perdeu o emprego depois de passar por três cirurgias na mão direita, afetada por 16 anos de digitação frequente no caixa de uma agência do HSBC. Depois que foi mandado embora, ele descobriu que o médico, contratado do banco, omitiu que tinha um sério problema na coluna. Lima entrou com ação contra o banco, acusado de danos morais. Ao ser demitido, diz não ter tido uma explicação convincente. Um dos gerentes só me falou que ninguém trabalhava no banco para sempre.
O presidente do Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR), Luiz Salim Emed, acredita que o número de denúncias contra os médicos do trabalho só vai reduzir se os profissionais resgatarem uma prática que vem sendo descartada. É preciso lembrar da importância do relacionamento entre o médico e o paciente. Quanto mais próximo for, melhor, mas o que temos hoje é o médico de plantão, diz. Emed acha que o vínculo entre os dois é essencial para o tratamento dar certo. (D.V.)


