Os londrinenses que esperam por operações cirúrgicas em hospitais da cidade lamentaram a decisão da Secretaria Municipal de Saúde de reduzir em 50% o número de cirurgias eletivas, como são chamadas as intervenções que não caracterizam emergência e são marcadas com antecedência. O Ministério Público informou que vai acompanhar de perto a situação dos atendimentos durante os próximos dias.
A determinação passou a valer no início da semana para os hospitais Universitário (HU), Evangélico, Santa Casa, Zona Norte e Zona Sul, que juntos totalizam cerca de 680 procedimentos mensais via SUS. Para a dona de casa Divanir de Lima, 40 anos, que precisa retirar um mioma do útero e entrou na lista de espera no início do ano passado, a decisão pode retardar ainda mais a operação. ''Já paguei ultra-som e, se pudesse, pagava a cirurgia. É preciso melhorar a estrutura e não fazer a gente espetar tanto tempo'', criticou.
Maria Helena Venzel de Souza, 43, que tem problemas na bexiga e está na fila há quase dois anos, ficou irritada ao saber da redução. ''Isso é um erro muito grande, já que não temos convênio e precisamos de atendimento'', lamentou Maria Helena. ''Preciso fazer uma operação de varizes e estou na fila desde março, quando fui internada. Agora não sei como vai ficar meu caso'', questionou Lourdes Aparecida de Lima, 55.
De acordo com o secretário de Saúde, Sílvio Luiz Fernandes, a determinação tem como objetivo reduzir a superlotação, disponibilizar vagas e melhorar a qualidade do atendimento hospitalar. ''A decisão é por tempo indeterminado, mas esperamos que o atendimento se normalize em breve'', disse o secretário. No ofício nº 25/02, Fernandes informou ainda que ''os leitos deverão ser priorizados para internação dos pacientes em risco de vida''.
O promotor dos Direitos Constitucionais de Londrina, Paulo Tavares, disse que a medida foi ''drástica'', mas necessária para solicionar uma ''situação emergencial'' na cidade. ''Esperamos que o temporário não se transforme em permanente e que as cirurgias eletivas não venham a se tornar emergenciais'', comentou Tavares, destacando que vem reunindo informações para tentar solucionar o principal problema do setor: a falta de leitos na cidade.

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