''Cada vez que venho à Regional de Saúde me pedem um documento diferente. Já voltei aqui quatro vezes, sempre cheia de papéis. Tenho um laudo do próprio médico atestanto que minha doença é crônica e nem assim eles aceitam.'' O depoimento da aposentada Marta Alves Paulino, 41 anos, retrata o dilema dos pacientes que dependem de medicamentos de alto custo para viver.
Marta sofre de transtorno bipolar e epilepsia e há três meses teve suspenso o recebimento do medicamento do qual faz uso desde quando foi diagnosticada, há oito anos. ''Passei quatro dias na cama, com febre, diarréia. Sem o remédio não dá para sair de casa.''
Na manhã de ontem, a aposentada reuniu os documentos em mãos novamente e juntou-se a outros doentes que, com faixas, fizeram uma manifestação em frente à sede da 17 Regional de Saúde. O objetivo do protesto, segundo Alberto Wust, representante dos pacientes, era agilizar a entrega dos laudos da Câmara Técnica designada pelo governo estadual para avaliar os casos.
Até o final do ano passado, 42 pessoas esperavam a distribuição gratuita de medicamento especial em Londrina. Destas, 17 já estão recebendo, cinco tiveram o tratamento modificado pelos médicos, dois tiveram o pedido negado e outras dois ainda aguardam o resultado dos laudos técnicos. O restante, como Marta Paulino, está 'devendo' documentação para a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) e por isso teve a medicação suspensa, como informou o chefe da 17, Adilson de Castro.
Ontem, ele recebeu os pacientes, analisou a situação de cada um e concluiu que o problema é mesmo a falta de documentação. Para os pacientes que tiveram o pedido de medicação negado, Castro avisou que a Sesa vai recorrer da decisão da Câmara Técnica.''
Segundo o advogado Jorge Custódio Ferreira, da Comissão da Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seis pessoas já morreram no aguardo de uma decisão da Câmara Técnica. ''Menos da metade dos pacientes conseguiu os medicamentos'', declarou.
Para a assistente social do Ministério Público de Londrina, Maria Giselda de Lima, ''a impressão é de que a Câmara está fazendo um favor aos pacientes''. ''A Câmara Técnica deveria ser um grupo especializado em avaliar os casos. Na prática você leva os documentos para a Associação Médica e quando eles têm tempo, eles fazem o parecer''. Segundo a assistente social, o Ministério Público vai reavaliar os casos e poderá entrar com uma ação contra a União.

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