Quando o médico Milton Guimarães chegou em Londrina há mais de 50 anos, achou a cidade encantadora e muito parecida com sua terra natal, Sertãozinho (SP). ‘‘Não tive dificuldades para me adaptar, o clima e a terra eram iguais’’, comparou. A atenção e dedicação com os pacientes, atendendo muitas vezes de graça, e até pagando o ônibus de quem não tinha dinheiro para ir ao consultório, são características do médico reconhecidas pelos seus clientes.
O profissionalismo de Milton Guimarães lhe rendeu o título de Cidadão Honorário de Londrina, homenagem concedida pela Câmara Municipal. Um abaixo-assinado com quase mil assinaturas de seus pacientes pedia à Câmara que concedesse a homenagem como uma ‘‘forma de gratidão’’. O médico sentiu-se honrado com o agradecimento e disse que não há nada mais importante na vida do que a família e os amigos. ‘‘As pessoas devem fazer alguma coisa para o próximo, todo mundo conhece esse sentimento de fraternidade, mas poucos praticam’’, aconselhou Guimarães.
Ele comenta que Londrina tem hoje em torno de 1.200 médicos e que se cada um fizesse um atendimento gratuito, pelo menos uma vez por semana, contribuiria com a comunidade e ajudaria a corrigir as deficiências da área da saúde.
Todos esses anos de profisssão lhe permitiram viver muitas histórias, entre elas, o médico lembra de um momento engraçado. Ele trabalhava no Instituto Médico-Legal (IML) e foi convocado à noite para fazer uma necrópsia. ‘‘Quando eu cheguei no instituto era meia-noite e eu estava sozinho. As macas eram muito próximas uma das outras e escolhi examinar primeiro o corpo do meio’’. Depois de uns dez minutos, relatou, sentiu uma ‘‘coisa’’, escorregar pelas suas costas. ‘‘Quase morri de tanto susto, fiquei apavorado. Bem devagar e com muito medo consegui olhar para trás e ver: a mão do outro corpo tinha escorregado e caído na minha cintura’’, contou. ‘‘Nunca mais trabalhei sozinho no IML.’’
Guimarães estudou medicina em Curitiba e chegou em Londrina na década de 50. Trabalhou na Santa Casa, no IML, foi médico do antigo Inamps e agora do SUS e foi vereador por três mandatos consecutivos, num total de 12 anos.

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