Pacientes passam por constrangimentos
A aposentada Durvalina Lopes Machado tem usado dinheiro da própria aposentadoria para comprar as sete bolsas de colostomia mensais de que necessita seu neto, que está detido na Casa de Custódia. ''Não tenho como ficar comprando, mas ele também não pode ficar sem'', considerou.
Os problemas apresentados pela marca rejeitada pelos usuários, no entanto, costumam colocar os ostomizados em situações constrangedoras. ''Uma vez fui a uma entrevista de emprego em uma empresa grande, mas a bolsa exalava mal-cheiro conforme eu me movimentava na cadeira. Tinha que ficar pedindo licença para ir ao banheiro. Se não fosse isso, eu tinha conseguido a vaga'', contou Robson Oliveira Lima, presidente da Associação Paranaense de Ostomizados - Núcleo de Londrina.
Lima trabalha como vendedor ambulante e consegue em média um salário mínimo por mês. Quando faltam bolsas no HC, ele vai atrás de doações de pessoas e clínicas, e já chegou a usar sacolas plásticas para substituir o acessório. ''Tenho um filho recém-nascido, moro de favor. Não dá para comprar com o dinheiro que ganho'', lamentou.
Para a enfermeira Isabel Regina Inocente, a prefeitura está priorizando o preço em detrimento das necessidades das pessoas. ''Mas não adianta comprar a mais barata, porque a durabilidade é menor. Uma bolsa das boas equivale a três da marca inferior, o que pode fazer com que faltem bolsas mais uma vez.''
Rosicler Galassi, representante da empresa, também participou da reunião, informando que a marca tem aprimorado seus produtos, e se prontificou a fornecer algumas bolsas de colostomia para que seja feita nova avaliação. A empresa que venceu a licitação também estava representada na reunião por Arleu Gonçalves. (A.I.)





