Administrar dificuldades. Este tem sido o dia-a-dia dos diretores de hospitais de Londrina nas últimas semanas. Com uma quantidade de leitos muito aquém da atual demanda nos Prontos-Socorros (PSs), tornou-se rotina internar pacientes nos corredores, em macas e até em cadeiras. Na semana que passou a Santa Casa, Hospital Universitário (HU) e Hospital da Zona Norte (HZN) foram obrigados, em várias ocasiões, a restringir o atendimento de seus PSs a urgências e emergências.
O aumento dos problemas respiratórios por causa da chegada antecipada do inverno é um dos fatores que explicam as recentes superlotações, mas o motivo principal, na opinião dos diretores de hospitais, é a falta de investimentos na ampliação da capacidade de atendimento dos Prontos-Socorros e na oferta de leitos do Sistema Único de Saúde (SUS). ''Há 10 anos o hospital não tem ampliação no número, enquanto a população que vive nesta região aumentou muito nos últimos anos'', observa o diretor-geral do Hospital da Zona Norte, Paulo Roberto Gutierrez.
Para o diretor superintendente do Hospital Universitário (HU), Francisco Eugênio Alves de Souza, ofertar mais leitos pelo SUS é uma das formas de desafogar os PSs. ''Há muitos pacientes que estão internados no PS que poderiam estar nos hospitais secundários (que atendem casos de média complexidade), por exemplo.'' Souza defende uma discussão mais aprofundada sobre o papel dos grandes hospitais e a definição junto à população de onde ela deve ir quando precisar de atendimento rápido.
Mas não é só isso. O médico lembra que as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) devem estar devidamente preparadas para receber esta população e dar um atendimento satisfatório, para que ela não precise procurar os PSs dos hospitais de alta complexidade para conseguir atendimento adequado e sem tanta burocracia. Para exemplificar, Souza explica que os PSs hoje atendem muitos casos que são de internação, mas que a porta de entrada para o hospital não precisaria ser a do Pronto-Socorro.
Para Gutierrez, os hospitais têm feito um papel de investigação que as UBSs deveriam estar fazendo. ''Cerca de 80% dos pacientes que nos chegam hoje poderiam ter sido atendidos nas UBSs.'' Segundo Gutierrez o hospital pretende, em breve, iniciar uma avaliação mais detalhada dos casos que chegam ao HZN, e se for o caso, encaminhar os pacientes para atendimento nas Unidades Básicas. ''Só serão feitas fichas dos casos que realmente precisarem de atendimento em hospital.''
A Santa Casa também está planejando fazer mudanças no atendimento, já a partir do início da próxima semana. ''Vamos dar início a um sistema de regulação, ou seja, de avaliação de risco daqueles pacientes que chegam ao hospital sem encaminhamento prévio. Terão prioridade os casos de maior risco'', informa o diretor superintendente Fahd Haddad, lembrando que os casos mais simples deverão ser encaminhados às UBSs. ''Vamos tentar mudar a cultura da população de procurar direto o hospital.''

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