Três pacientes que necessitavam de internação em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) de Londrina aguardavam vagas até a tarde de ontem. Outros dois só conseguiram transferência após uma manhã de espera. A triste reprise em 2008 dos velhos problemas da rede hospitalar se completa com a notícia, até então não divulgada, de que a UTI e a UCI (Unidade de Cuidados Intermediários) neonatais do Hospital Universitário (HU) viraram o ano interditadas.
No Hospital da Zona Norte (HZN), que não possui UTI, permaneciam até ontem uma mulher de 53 anos, vítima de edema agudo de pulmão, e um homem diabético de 63 anos, que sofreu uma sepse (infecção generalizada). Recebidos pela manhã, eles foram atendidos numa sala de emergência do Pronto-Socorro (PS) do hospital. ''Estão ambos conscientes e estáveis, mas o diagnóstico aponta que necessitam de internação em UTI'', informou o diretor-geral do HZN, Elzo Carreri.
Uma mulher de 40 anos com infecção no rim também esperava por uma vaga de UTI no HU. A assessoria de imprensa do hospital repassou que ela estava consciente e não precisou ser entubada, mas seu estado inspirava cuidados. Segundo o coordenador do Siate/Samu (responsável pela regulação dos leitos hospitalares em Londrina), Carlo Caviglione, uma auditoria em tempo real feita diariamente nos grandes hospitais da cidade apontou que era ''impossível'' acomodar os três pacientes em UTIs até meados da tarde de ontem.
''Cada hospital faz o que está ao seu alcance para ir prestando atendimento a esses pacientes enquanto as vagas em UTI, que seriam mais adequadas, não surgem'', ponderou, lembrando que a superlotação tem sido constante nos últimos seis meses.
A desproporção entre a demanda e o número de leitos também provoca ''efeitos colaterais'' graves como a proliferação de bactérias. Desde o último dia 21 de dezembro a UTI e a UCI neonatais do HU estão interditadas, o que levou o hospital a interromper a realização de partos. De acordo com a enfermeira Renata Belei, três bebês colonizados com bactérias permanecem sob observação. Um deles foi infectado com uma espécie multi-resistente e os demais com um tipo mais leve.
''Já conseguimos esvaziar a UTI e fazer a desinfecção terminal do setor. Ele deve ser liberado até amanhã, mas como tivemos algumas crianças transferidas para a UCI, a UTI deve reabrir com apenas duas vagas'', informou a enfermeira. Um dos bebês em observação já teve um resultado de cultura negativa, mas a última análise ainda não foi divulgada. No total, 13 bebês estão internados na UCI.
Essa foi a quarta interdição de UTI e UCI neonatais registrada no HU somente no ano passado. O hospital atribui todas à superlotação. Uma decisão judicial determinou que o número de leitos nos dois setores fosse dobrado, o que até hoje não ocorreu. Em entrevista à FOLHA no último dia 23 de dezembro, o governador Roberto Requião afirmou que ''tem UTI sobrando no Paraná''.

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