Londrina- Pacientes que precisam de atendimento médico têm enfrentado dificuldades no Hospital Universitário (HU) e no Hospital das Clínicas (HC) da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Funcionários das instituições estão em greve há cerca de 20 dias.
A dona de casa Maria Luiza da Silva, de 54 anos, é mãe de Luciana Regina da Silva, de 32 anos, que enfrenta uma gravidez de risco. Na tarde de ontem ela estava em frente ao HU apreensiva com a demora para encontrar uma vaga onde sua filha poderia fazer a cesárea, já que o bebê corre sérios riscos se a cirurgia não puder ser realizada. Ela conta que ontem à tarde a central de regulação ainda tentava achar um outro hospital que pudesse recebê-la. "Minha filha chegou na quarta-feira, às 14 horas, no hospital e hoje (ontem) ainda não conseguiu nenhuma vaga", lamentou.
Segundo a diretora de Enfermagem do HU, Vivian Feijó, o maior problema do HU hoje tem sido a maternidade e a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica. "O HU possui 19 leitos cadastrados para UTI pediátrica, mas está com 21 bebês utilizando ventilação mecânica, dos quais 11 são prematuros. Além do HU, o único hospital de Londrina que possui leitos cadastrados no SUS para bebês em alto risco é o Hospital Evangélico, mas que também está com todos os leitos ocupados", explicou Vivian.
Na sexta feira, relatou a diretora, aconteceram dois partos de gêmeos prematuros. Ela destacou que, além da falta de leitos, a greve dificultou a disponibilização de funcionários para realizar hora extra para cuidar desses bebês.
Mas os problemas do hospital não param por aí. A dona de casa Augusta Mariano, de 54 anos, está com o seu pai Sinval Paulo Moraes, de 80, entubado, aguardando a liberação de uma vaga na UTI. "Por enquanto ele está na emergência. Ele sofre de pressão alta e possui problemas no coração e o médico descobriu que ele está com três úlceras no estômago", apontou. "Primeiro tentamos procurar a Unidade Básica de Saúde do Jardim Leonor, mas ficamos sete horas esperando. Antes já tínhamos tentado ir à UBS do Conjunto Maria Cecília, mas lá não tinha médicos", complementou.
O secretário-geral do no HU, pelo Sindicato dos Servidores Públicos Técnico-administrativos da Universidade Estadual de Londrina (Assuel), Adão Brasilino, afirmou que o HU vem enfrentando problemas de superlotação. "Na UTI temos 11 pacientes na fila e temos 66 pacientes no pronto-socorro, que tem capacidade para 47 pacientes no máximo", apontou. A diretora Vivian Feijó, no entanto, disse que no final da tarde de ontem havia oito pacientes na fila da UTI e 72 pacientes no pronto-socorro.
O hospital está com 234 pacientes internados, mas a diretora não quis arriscar quantos leitos estão disponíveis no momento. "Tem uma enfermaria masculina e uma feminina bloqueadas por causa da greve e tem uma ala inteira sendo reformada, por isso não sinto confortável em relatar quantos leitos temos hoje", argumentou.

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