Pacientes do SUS não recebem próteses
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sexta-feira, 05 de julho de 2002
Phoenix Finardi<br> Reportagem Local 
Sem conseguir credenciamento junto ao Ministério da Saúde desde o ano passado, o Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar), não está fornecendo próteses para pessoas que tenham sido mutiladas devido a acidentes ou doenças. Atualmente 106 pessoas esperam na fila por uma prótese. O Cismepar atende pacientes de 20 municípios da região de Londrina.
O problema começou em junho de 2001, quando o Ministério da Saúde publicou uma portaria regulamentando o serviço de atendimento no Programa de Órteses e Próteses. Para fazer o credenciamento que permite as encomendas das próteses é necessário cumprir uma série de exigências. O prazo dado pelo Ministério terminou em dezembro do ano passado e o Cismepar não conseguiu o credenciamento.
A dificuldade do Cismepar para conseguir o credenciamento junto ao Ministério da Saúde é a falta de equipamentos especializados para atender pessoas mutiladas e deficientes: ''Nós temos o mais difícil de conseguir, que é uma equipe multidisciplinar especializada, mas ficamos emperrados na questão na estrutura física'', explica Vania Brum, diretora executiva do Cismepar. O Ministério exige que o órgão prestador do serviço tenha uma clínica de fisioterapia completamente equipada para atender pacientes de ortopedia e também de neurologia.
O Cismepar não conseguiu cumprir essa exigência. A clínica existe mas atende apenas pacientes de ortopedia: ''Precisamos comprar os equipamento de neuro
mas são máquinas grandes e nós não temos espaço suficiente'', diz a diretora. O Cismepar consultou uma arquiteta que está terminando um projeto de reforma na clínica. Como o prédio onde funciona o Cismepar é do Estado, o projeto precisa de aprovação da Secretaria Estadual de Saúde. De acordo com Vania, a reforma seria simples e poderia ser feita num prazo de 60 dias: ''Se conseguirmos aprovação do projeto rapidamente, imagino que a partir de outubro poderemos voltar a atender normalmente os pacientes''. Além da reforma na clínica, o credenciamento exige a construção de um banheiro para deficientes.
De dezembro de 2001 até maio deste ano nenhum pedido de prótese foi atendido. Então, pressionados pela demanda, o Governo do Estado deu uma autorização especial de um mês para que o Cismepar colocasse os pedidos em dia. '' Nós conseguimos atender 49 processos mas infelizmente muitos pedidos não foram feitos a tempo e muita gente ficou sem a prótese'', lamenta Vania Brum. A autorização especial terminou em junho e desde então nenhum novo pedido foi aceito.


