Pacientes do Hospital Infantil têm tarde de emoção
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quinta-feira, 24 de dezembro de 2015
Rafael Souza<br> Reportagem Local
Ele não chegou num trenó rodeado de renas. Pelo contrário. Apareceu sem alarde, quietinho, mas não demorou muito a ser notado. As barbas brancas e a inconfundível roupa vermelha fizeram brilhar cada um dos olhinhos que lhe aguardavam ansiosos. Foi como um alento. Ao ver o bom velhinho - nem tão velho assim - as crianças do Hospital Infantil de Londrina puderam esquecer os problemas de saúde por alguns minutos.
A pequena Juliana Csucsuly, de apenas 10 anos, ficou maravilhada. Já de alta depois de enfrentar mais de um mês entre idas e vindas ao hospital por conta de um problema renal, a garotinha era só alegria. "Foi muito legal ver o Papai Noel nos visitar e trazer presentes. As crianças passam um bom tempo no hospital, eu sofri bastante, tomei muitas agulhadas, fiz cirurgia, e é difícil porque não tem nada pra fazer, não passa o tempo", lembrou.
Com a boneca que ganhou nas mãos, Juliana só pensava agora em curtir o Natal ao lado da família e contar a todos o dia especial que encerrou sua passagem pelo hospital. "Agora é voltar para casa e comer a ceia. Minha vó vai fazer um chester delicioso. Fiquei um bom tempo sem poder comer um monte de coisa e agora vou aproveitar para comer tudo o que quero e curtir minha família", contou.
Uma a uma, o Papai Noel abraçou e presentou a todas as crianças que lhe aguardavam, nos corredores e nos quartos. Gesto que emocionou até mesmo quem já havia visto o bom velhinho algumas vezes. "Não tenho nem palavras para descrever", disse o autônomo Marcos Antônio Cavechioni. Ele é de Andirá e há quase 20 dias acompanha a recuperação da filha Marjorie Alexandra Cavechioni, de 4 anos, que retirou um terço de um dos pulmões por conta de uma pneumonia severa. "Para a gente que já está longe de casa há alguns dias é um momento de esquecer. Aqui é uma luta todo dia."
"Achei fantástica a ideia, porque as crianças não podem sair daqui e nem imaginam. Com certeza é algo que vai fortalecer cada uma na recuperação", completou a assistente administrativa Iolanda Nóbrega, mãe de Guilherme Nóbrega e Silva, de 6 anos, que se recupera de uma cirurgia de apêndice.
E não foram só as crianças que tiveram um dia para guardar na memória. "Foi indescritível. Eu não distribui nenhum presente, ganhei presentes. Dinheiro nenhum vai pagar tudo isso e nunca vou esquecer", descreveu o engenheiro civil Marcelo Cruz Nicolau, que viveu ontem sua oitava experiência como Papai Noel, a primeira num hospital. "Estar com plena saúde para poder proporcionar um Natal mais feliz a quem está no hospital, principalmente crianças, é um motivo para gratidão enorme. É a primeira de muitas", prometeu, já com lágrimas nos olhos.