Pacientes denunciam Santa Casa de Cianorte
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 31 de maio de 2006
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
O Ministério Público do Fórum de Cianorte (80 km a leste de Umuarama) instaurou procedimento para investigar denúncias de irregularidades envolvendo a Fundação Hospitalar Intermunicipal de Saúde (Santa Casa). As denúncias foram feitas há uma semana por um casal que teve um filho morto em 2002, após receber uma injeção, e por duas pacientes que ficaram com sequelas graves após serem operadas. O promotor, Joelson Luis Pereira, também requisitou à 13 Regional de Saúde que forneça todos os procedimentos administrativos instaurados contra a instituição. A Folha teve acesso às denúncias através do advogado das vítimas, Alfredo Canever, que veio pessoalmente à redação do jornal.
Os quatro denunciantes alegaram que levantaram as suspeitas contra a direção da Santa Casa porque acreditam que as irregularidades afetam o atendimento de pacientes e porque não querem que os problemas que tiveram se repitam com outras pessoas.
O casal de agricultores Alencar dos Reis e Cleidir da Costa dos Reis, perdeu o filho caçula, Rafael dos Reis, de dois anos e oito meses, em 10 de abril de 2003. Na noite anterior, eles haviam levado o filho à Santa Casa, por causa de uma rouquidão. Após receber um medicamento intravenoso, o menino teve uma parada cardíaca e morreu horas mais tarde. Um inquérito foi instaurado para averiguar a suspeita de troca de medicamentos mas o Ministério Público pediu o arquivamento do processo por falta de provas. A família acredita que as evidências foram consumidas antes que pudessem ser utilizadas. ''Vi meu filho morrendo nos meus braços e não quero que isso aconteça com mais ninguém'', alegou a mãe, ao ser questionada sobre o motivo que a levou a decidir representar contra o hospital.
Os casos da auxiliar de enfermagem Eliene Pereira da Silva e da dona-de-casa Cleide dos Santos são semelhantes. Elas passaram por cirurgias para retirada de cálculos da vesícula, em agosto de 2003 e janeiro de 2005 respectivamente, mas tiveram cortados o canal por onde passa o líquido biliar e até hoje sofrem com as complicações. Eliene já teve que fazer mais cinco cirurgias e Cleide, quatro. ''Perdi a saúde e a vontade de viver, Nem meu marido me quer mais'', reclamou Cleide. Internada pelo SUS, ela alegou ainda que a Santa Casa não queria liberá-la se não pagasse R$ 8 mil. ''Só saí quando chegou uma promotora e me tirou'', completou. Abaladas, elas perderam o prazo de seis meses após os fatos para acionarem criminalmente os cirurgiões responsáveis e o hospital.
O promotor afirmou que sobre os supostos erros médicos não poderia mais intervir. No caso da morte do garoto Rafael, explicou Pereira, o processo foi arquivado e só poderia ser reaberto se surgisse uma evidência que provocasse novos questionamentos. ''Só (pode ser retomado) se tiver uma prova nova, é o que determina o Código de Processo Penal. Sem isso, caracterizaria constrangimento ilegal das pessoas que possam ser atingidas pela investigação'', esclareceu.
Esta semana, ele vai ouvir Célio Nogueira e Degilaine Colombo Nogueira, que perderam a filha Daniele Colombo Nogueira, de 2 anos e oito meses, em 6 de agosto de 2003. Segundo os pais, a menina foi internada na manhã de 23 de julho daquele ano para operar a garganta e ao receber um anestésico teve complicações e, mesmo não dispondo dos recursos que precisava, só teria sido transferida para o Hospital Universitário (HU) de Londrina quase 10 horas mais tarde. Eles entraram com ação cível de reparação de perdas e danos contra o anestesista responsável e o hospital.


