Cabelos escovados e um sorriso no rosto. Ontem foi um dia especial para a dona de casa Enedina Duarte, 37 anos. Internada no Hospital Evangélico há pouco mais de uma semana para se recuperar de uma inflamação em uma das mãos, ela aproveitou o 4º Dia Solidário de Beleza para cuidar da aparência. ''Nunca fui num salão na vida, acho bom o hospital oferecer este serviço por aqui'', opinou.
Acompanhando a filha Giovana, de apenas um ano, que recupera-se de uma pneumonia, Adriana Viana, 18, também ganhou um presente na manhã de ontem: escovou os cabelos e fez as unhas. ''Já participei de dois dias de beleza. Sempre faço escova, acho bom'', comentou Adriana, que costuma escovar os próprios cabelos, em casa. ''Com o bebê é difícil sair.''
Além de doar uma manhã de trabalho por mês ao hospital, a cabeleireira Edith Joana Ferreira mantém um salão dentro do Evangélico, localizado no sétimo andar. Lá são oferecidos, há oito meses, todos os tipos de serviço de beleza para pacientes, acompanhantes e funcionários: corte, escova, manicure, pedicure, depilação, penteados e maquiagem.
''Há tempos eu guardava no coração essa vontade de ajudar e não há nada que nos faça melhorar mais rápido do que ter auto-estima. Quando os pacientes se olham no espelho e se vêem mais bonitos, eles têm vontade de deixar o hospital mais rápido'', declarou Edith.
A idéia de criar um dia solidário da beleza partiu da própria cabeleireira, que encontrou apoio na assistente social Fabiana Cogo para tocar o projeto. ''É um trabalho de humanização do atendimento'', avaliou Fabiana. Conforme ela, o primeiro dia de beleza foi realizado em dezembro do ano passado e desde então, mais de 100 pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) já foram atendidos nas dependências do Evangélico.
''Percebi que os pacientes do SUS não frequentavam o salão e não queria deixá-los de fora, então optei pelo dia da beleza'', disse Edith. Durante toda a manhã de ontem, cinco funcionárias da equipe do salão se revezaram entre o espaço montado em uma sala de espera do hospital e os leitos para atender 45 pacientes e acompanhantes internados pelo SUS.
''Nosso diferencial é o atendimento personalizado. Estudamos a história do paciente e se ele não pode ir até o salão, nós vamos até o quarto dele'', assinalou a cabeleireira, que foi convidada pela diretoria do hospital a montar o salão. ''O espaço é alugado. O Evangélico me convidou a pedido dos próprios pacientes e como gosto de desafios, aceitei.''
Os preços também são diferenciados, inclusive para os funcionários. ''Muitos não têm tempo de ir ao salão fora daqui e nos procuram'', comentou Edith, ressaltando que o salão não visa lucro. ''Visamos o atendimento. É uma alegria ver o paciente levantar da cadeira feliz.''

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