Pelo menos 20% dos leitos hospitalares de Londrina são ocupados por pacientes que poderiam ser tratados em casa, mediante um acompanhamento médico. A afirmação é do clínico-geral Claudinei Silva Souza, coordenador do Sistema de Internação Domiciliar (SID), que está completando cinco anos. Neste período foram atendidos 2.130 pacientes e atualmente estão em internação domiciliar 113 doentes. Entre as muitas vantagens do programa, que nasceu da necessidade de humanizar o tratamento do paciente, Souza cita a otimização dos leitos hospitalares problema crônico enfrentado em Londrina.
Segundo a médica Rosângela Libanori, assessora de planejamento da Secretaria de Saúde, Londrina necessita hoje de cerca de 84 leitos, sendo 40 de curta permanência, 10 de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e 4 de UTIs neonatal, além da criação de 30 leitos de cuidado intermediário para recém-nascido saído de UTI.
A cidade conta atualmente com 1.412 leitos. Desses, pelo menos 282 poderiam ser liberados se pacientes crônicos estivessem internados em casa. São pacientes que precisam de cuidados exclusivos e intensivos, mas não precisam de todo o aparato de um hospital, segundo Souza.
O diretor-clínico do Hospital Universitário (HU), Sylvio Villari Filho, afirma que mais programas de internação domiciliar iriam minimizar o problema de superlotação. ''Há muitos pacientes crônicos internados nos hospitais por falta de condições de dar atendimento em casa'', explica. Segundo ele, o HU já pensou em criar um serviço dessa natureza mas desistiu por falta de recursos humanos: ''No momento não temos como disponibilizar médicos, enfermeiras, nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogos, para acompanhar o paciente em casa''.
A Unimed criou há dois anos um serviço semelhante. O neurologista Carlos Boer, responsável por essa área na Unimed, afirma que a iniciativa deveria partir também de outros planos de saúde. Além do problema de superlotação, outra vantagem da internação domiciliar, principalmente em se tratando de Sistema Único de Saúde (SUS) e mesmo de paciente particular, é a economia. A internação domiciliar é, em média, 40% mais barata, calcula Boer.
A recuperação duas vezes mais rápida do paciente e uma diminuição dos riscos de infecção são outras vantagens salientadas pelo coordenador do SID. Segundo ele, o SID tem capacidade para atender 140 pacientes e atende 113. A cultura do profissional de saúde voltada para a internação hospitalar e o desconhecimento de como o serviço funciona são os principais responsáveis pela internação domiciliar não ser adotada de forma mais ampla, avalia Souza.

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