Pacientes com glaucoma protestam por falta de colírio
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segunda-feira, 12 de abril de 2010
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
Sem conseguir retirar medicamentos necessários ao tratamento, pacientes com glaucoma, doença que pode causar cegueira, realizaram um protesto ontem, em frente à farmácia do Hospital Oftalmológico de Londrina (Hoftalon), designado pela 17 Regional de Sa© úde para realizar a distribuição dos colírios.
O hospital decidiu fechar o centro de distribuição no dia 8 de abril, por causa da falta de pagamento pelos medicamentos, que passaram a ser entregues pela instituição em novembro do ano passado. O hospital está sem receber desde novembro. ''Sem o medicamento, essas pessoas podem ficar cegas'', denunciou Luis Martins de Lima, presidente da Associação Pelos Direitos da Visão. Segundo ele, os colírios são de uso diário e permanente. ''O custo varia de R$ 180 a R$ 250 por mês. A maioria dos doentes é aposentado e ganha pouco.''
É o caso de Ana da Purificação Dalmaso, 68, portadora de glaucoma, catarata descolamento de retina e 13 graus de miopia. Com medo de perder os 25% de visão que ainda lhe restam, ela já teve que adquirir um colírio de R$ 85. ''Se continuar sem receber o medicamento, não poderei mais comprar.'' Geraldo Dutra, 73, já está sem usar um dos quatro colírios recomendados pelo médico. ''Fico com medo, mas não tenho como comprar.''
O oftalmologista Nobuaqui Hasegawa, diretor do Hoftalon, informou que a dívida é de quase R$ 300 mil. ''A obrigação de fornecer o medicamento é do Estado. Sem pagamento, não podemos continuar.'' Em torno de 2,5 mil pessoas são beneficiadas pela distribuição dos colírios.
Hasegawa explicou que se comprometeu a comprar e distribuir os medicamentos para receber posteriormente do Governo do Estado por causa dos pacientes. ''Glaucoma pode levar à cegueira, por isso, nos propusemos a colaborar com o Estado, que teria mais dificuldades em realizar a compra por causa da licitação.'' A falta de pagamento, entretanto, está colocando em risco a sanidade financeira do estabelecimento. ''Passei a distribuir fazendo um favor para o Estado. Não posso correr o risco de quebrar por causa dessa dívida.''
O chefe da 17 Regional de Saúde, Adilson Castro, disse ontem à tarde que se informaria sobre as dívidas do governo para então verificar quais providências serão tomadas.


