Pacientes com câncer estão sem atendimento
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 15 de julho de 2003
Lucinéia Parra<br>Equipe da Folha 
Maringá Pacientes com câncer que moram na região de Maringá estão preocupados com a falta de atendimento oncológico pelo Sistema Único de Saúde (SUS) oferecido no município. A suspensão do atendimento a pacientes de fora foi tomada há quase um mês pelo Conselho Municipal de Saúde de Maringá.
Com uma dívida de R$ 6 milhões e um déficit mensal de aproximadamente R$ 400 mil, a Secretaria de Saúde de Maringá alega que não tem condições de manter ''a porta aberta'' para os pacientes de fora enquanto o Estado não aumentar o teto financeiro para saúde do município. Por isso, os moradores de outras cidades em fase de acompanhamento para controle da doença e aqueles que descobriram o câncer depois do dia 18 de junho estão sem atendimento e não sabem a quem recorrer.
A funcionária pública Irma Luciano, 47 anos, que mora em Cianorte (80 km de Maringá), tinha uma consulta de controle no dia 28 de junho, mas alguns dias antes foi informada de que o procedimento havia sido cancelado. Ela teve câncer de colo do útero e fez o tratamento no Hospital Santa Rita, em maio do ano passado. Desde janeiro deste ano vinha tendo acompanhamento trimestral para o controle da doença. ''Acho que estou curada, mas tenho que fazer o acompanhamento'', disse. Ela afirmou que nas últimas semanas vem sentido cólicas mais fortes e teme que seja uma manifestação da doença novamente.
A dona de casa, Edna Tomaz Coqueiro Leme, 45 anos, também é de Cianorte e está preocupada. Ela faz tratamento para câncer de mama, não informa que o convênio não cobre a compra de um medicamento que custa em torno de R$ 150,00. Edna deu entrada nos documentos para ser atendida pelo SUS no Hospital do Câncer de Maringá, mas foi informada ontem que o pedido foi negado. ''Sei que vou ter que tomar o remédio logo porque o médico já disse que vai receitá-lo, só que não tenho condições de comprar'', afirmou.
De acordo com a secretária de saúde de Cianorte, Clélia Alves Santos, as providências estão sendo tomadas para que o atendimento dos pacientes seja retomado. Ela deu detalhes, mas disse que se Maringá insistir em não atender os pacientes, a secretaria deverá fazer os encaminhamentos para outros municípios que sejam referência no tratamento de câncer.
Conforme a auxiliar administrativa do Tratamento Fora de Domicílio (TFD) da Regional de Saúde de Cianorte, Ivone Ribeiro Correa, quatro pacientes da região tiveram as fichas devolvidas pela Secretaria de Saúde de Maringá sem autorização para tratamentos. Segundo ela, a suspensão não atingiu pessoas que já estavam em tratamento de quimioterapia e radioterapia e também dos novos pacientes que necessitam de cirurgias.


