Pacientes buscam plantão da dengue durante carnaval em Londrina
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 04 de março de 2019
Simoni Saris <br> Reportagem Local 
Foi pequena a procura por atendimento nas unidades básicas de saúde do jardim Itapoã (zona sul) e do conjunto Armindo Guazzi (zona leste) nesta segunda-feira (4). Os funcionários fizeram plantão para atender pacientes com suspeita e confirmação de dengue, mas o movimentou ficou abaixo do esperado. Até o final da manhã, 64 pessoas haviam passado pelas duas unidades que ficarão abertas das 7 às 19 horas. Nesta terça-feira (5) não haverá plantão e as unidades estarão fechadas.

Moradora do jardim Atlanta (zona sul), a camareira Michele Sanches começou a sentir os sintomas da dengue na sexta-feira (1º). Ela procurou atendimento na UPA do jardim Sabará (zona oeste) e, no final de semana, fez o acompanhamento na UBS do jardim União da Vitória (zona sul). "Me disseram que hoje estaria aberta a UBS aqui do Itapoã e vim. Esperava mais gente porque está um surto de dengue aqui na região, mas ainda bem que está vazio e o atendimento vai ser rápido", comentou. "Estou com muita dor no corpo e dor de cabeça. Acho que hoje acordei até pior do que ontem."
Beatriz Alves da Cunha começou a sentir os sintomas da dengue na quarta-feira (27) e depois de quatro dias fazendo o acompanhamento, a confirmação da doença veio no final de semana. Nesta segunda, ela passou por consulta médica e ficou aliviada ao chegar à UBS e não encontrar fila de espera. "Está bem vazio, bem tranquilo", disse.
Na última terça-feira (26), a UBS do jardim Itapoã estendeu o horário de atendimento em quatro horas para dar conta da demanda de pacientes com dengue ou suspeita da doença. A unidade, que funcionava das 7 às 19 horas, passou a funcionar até as 23 horas. No último levantamento, divulgado na semana passada, dos 155 casos confirmados de dengue na zona sul de Londrina, 132 receberam atendimento naquela UBS.
"À noite estamos com bastante movimento e até ampliamos a equipe. Começamos com quatro auxiliares de enfermagem, um enfermeira e um funcionário do setor administrativo, mas deu muita gente no primeiro dia e a equipe teve de ser reforçada. Vieram mais dois auxiliares de enfermagem", comentou a coordenadora da UBS do jardim Itapoã, Mariza Kato de Oliveira, que se surpreendeu com o baixo movimento no início da manhã desta segunda-feira. Em duas horas, apenas seis pessoas haviam passado pelo local. "Está bem mais tranquilo, mas talvez aumente a procura à tarde." Ao meio-dia, a UBS contabilizava 54 atendimentos, sendo que 17 pacientes passaram por consulta médica e três tiveram de ser encaminhados para unidades de maior complexidade.
ZONA LESTE
Na UBS do conjunto Armindo Guazzi, a sala de espera estava vazia. Até o final da manhã, dez pessoas haviam recebido atendimento. "Aqui tivemos muito procura por outros motivos. Pessoas querendo marcar consultas ou retirar medicamentos. Mas informamos que o atendimento hoje é exclusivo para dengue e a orientação é que os outros casos voltem na quarta-feira (6), quando os postos voltam a funcionar normalmente", disse a coordenadora da unidade, Ana Claudia Moreira Silva. Na região leste, são quatro casos de dengue confirmados até agora, segundo a coordenadora.
A unidade da zona leste funcionava com uma médica de plantão o dia todo, um enfermeiro pela manhã e outro à tarde, oito auxiliares de enfermagem cumprindo turno de 12 horas, além de auxiliar administrativo e uma funcionária para fazer a limpeza do local.
A dona de casa Delma Marta da Silva foi à UBS da zona sul acompanhada do marido, o pedreiro Wilmar Freitas de Castro. Ela pretendia marcar uma consulta médica e o marido precisava refazer o curativo para um ferimento na perna. "Quando cheguei ao posto e vi que não tinha movimento fiquei feliz porque achei que seria atendida rapidinho e iria embora em um instante, mas não adiantou nada. Perdi a viagem. Vou ter que voltar na quarta-feira", comentou. "Achei que o posto estava atendendo normalmente."
ASSISTÊNCIA
O secretário municipal de Saúde, Felippe Machado, explicou que a abertura das UBSs nas zonas sul e leste foi uma medida encontrada para que todas as regiões da cidade recebessem assistência, evitando deslocamentos até as unidades de pronto atendimento. "O objetivo é que todas as regiões da cidade tivessem pelo menos uma unidade assistencial de referência, por isso optamos por abrir a UBS do Armindo Guazzi, a zona leste estava desguarnecida."
Nesta terça-feira, as unidades de saúde estarão fechadas e a população deve procurar as UPAs e o PAI (Pronto Atendimento Infantil). Na quarta-feira, os postos de saúde voltam a funcionar com o horário estendido até as 23 horas na UBS do jardim Itapoã.
NÚMEROS
Na última quinta-feira (28), a Secretaria Municipal de Saúde divulgou o mais recente levantamento da dengue apontando um aumento de 79 casos da doença em um período de uma semana. Desde 1º de janeiro, o município contabiliza 190 confirmações e há outros mil casos sob investigação. A zona sul concentra 155 do total de casos registrados. A secretaria alertou que 11 pacientes contraíram o sorotipo II da doença, considerado um tipo mais agressivo.
Para tentar reduzir os números da dengue em Londrina, algumas ações foram reforçadas, especialmente nas zonas sul e leste. São mutirões, recolhimento de lixo em fundos de vale, trabalho de campo dos agentes de endemias e aplicação de fumacê. "As ações do fumacê e as demais ações não pararam por causa do Carnaval. Hoje temos carros na rua fazendo aplicação do fumacê", disse Machado.
Nesta quinta-feira (7), a Secretaria de Saúde deverá divulgar um novo boletim com os casos confirmados da dengue em Londrina e a expectativa é que haja uma redução. "Se fizermos um paralelo de análise em relação aos casos da semana, foram poucas as confirmações. Os casos continuam subindo de forma global porque são resultados de exames feitos anteriormente que estão chegando", destacou o secretário.
Machado ressaltou que o município ainda deve ter de dez a 11 semanas de circulação viral intensa, por causa do calor, se estendendo até maio. "Nossa ideia é tentar que com o espaçamento dos casos confirmados, a gente consiga evitar a epidemia e que as pessoas sejam reinfectadas e tenham seus casos complicados", afirmou o secretário.


