Diariamente, dezenas de ônibus de 19 municípios atendidos pela 17 Regional de Saúde circulam pelos hospitais da Zona Norte e da Zona Sul, pelo Consórcio Intermunicipal de Sa© úde do Médio Paranapanema (Cismepar) e pelo Hospital de Olhos (Hoftalon) distribuindo pacientes. Normalmente eles chegam em Londrina por volta das 7 horas e retornam aos locais de origem no fim da tarde.
Num giro rápido pela cidade durante uma segunda-feira, a reportagem da FOLHA encontrou pelo menos cinco ônibus de cidades vizinhas estacionados ao lado do Cismepar, por volta do meio-dia. Dois deles em péssimo estado de conservação, com bancos rasgados e sem forro e até vidros quebrados. Um deles havia sido doado recentemente pela Receita Federal.
Dos ônibus encontrados, os de Florestópolis e Jaguapitã estavam em pior estado. O de Bela Vista do Paraíso aparentava ser antigo, mas conservado. Já os veículos da Saúde de Sertanópolis e Porecatu eram praticamente novos.
Apesar da Polícia Rodoviária não manter registros precisos do número de acidentes envolvendo ambulâncias, ônibus, microônibus ou vans de prefeituras, a situação é crítica e pode até ameaçar a segurança dos passageiros durante as viagens. Mas o que mais intriga é o conformismo não só dos motoristas, como também dos usuários que viajam nestes ônibus deteriorados: ninguém reclama.
Como contou o motorista Gilson de Souza Araújo, o Biro, os ônibus que trazem pacientes de Florestópolis para Londrina foram doados pela Receita em janeiro deste ano. No entanto, um dos veículos é de 1986 e o outro, ''mais novinho'', é de 1990.
Biro dirige o ônibus que sai de Florestópolis às 5h30 e retorna à cidade somente às 17h30. De acordo com ele, um outro ônibus deixa o município vizinho às 10 horas para trazer os pacientes que têm consultas marcadas no período da tarde e recolher os que se consultaram pela manhã. ''Fico aqui até a última consulta e ainda pego duas professoras, uma dá aula nos Cinco Conjuntos e a outra em Cambé''.
Segundo ele, não há reclamações sobre as condições dos veículos. O problema maior é a superlotação, já que outras pessoas, que não são pacientes, utilizam o transporte para vir até Londrina. ''Sabe como é cidade pequena, a gente sempre acaba tendo de dar carona para uns e outros.''
Biro recordou que antes da doação da Receita, outros dois microônibus faziam o percurso dos hospitais diariamente. ''A condição dos veículos era a mesma.''
Há pelo menos dois anos a Receita Federal tem doado ônibus apreendidos em operações conjuntas com a Polícia Federal para prefeituras paranaenses. Só na jurisdição de Londrina, que compreende 63 municípios localizados entre Jacarezinho (Norte Pioneiro) e Apucarana (Centro-Norte), 50 cidades já foram beneficiadas e outras oito aguardam a doação. Apenas Pitangueiras, Prado Ferreira, Jaguapitã, Apucarana e Rolândia ainda não foram contempladas.
O responsável pelo depósito de mercadorias apreendidas da Receita Federal em Londrina, Marcos Aurélio Tavares, explicou que as doações são flexíveis e dependem da disponibilidade de veículos. ''Isso começou em 2005, quando uma mudança na lei permitiu à Receita Federal intensificar a fiscalização e apreensão de ônibus'', disse.
Segundo Tavares, em média, um ônibus permanece apreendido por seis meses, tempo entre a apreensão e a decisão judicial. Como a maioria dos veículos confiscados pela Receita eram destinados ao transporte de mercadorias de contrabando ou descaminho, poucos estão em bom estado.''Quase a totalidade dos ônibus estão sem bancos'', confirmou Tavares, ressaltando que a Receita costuma fazer uma triagem dos melhores veículos antes de doá-los às prefeituras.
Conforme o funcionário, depois que o veículo é entregue à prefeitura, cabe ao Poder Legislativo ou ao Tribunal de Contas do município fiscalizar o uso do meio de transporte. ''Só sei que não pode desmontar para vender como sucata.''

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