Aguardar atendimento médico por várias horas não é tarefa fácil. Pior ainda quando o espaço não conta com cadeiras suficientes para o repouso, forçando as pessoas a sentarem em armações de metal e até no chão. Essa é a atual realidade da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Jardim Sabará, localizada na Avenida Arthur Thomas, na zona oeste de Londrina.
Inaugurada em junho de 2013, a unidade foi aberta com a esperança de resolver parte das urgências e diminuir as filas nos prontos-socorros dos hospitais da cidade. Com atendimento 24 horas, o espaço foi anunciado com cinco consultórios, sala de emergência com quatro leitos, 16 leitos de observação, uma sala de medicação com mais 16 leitos e equipe de enfermagem e atendimento completo. Além de mais de 17 médicos clínicos e sete ortopedistas.
Apesar de tantos recursos, usuários demonstram frustração com a UPA. "Estou com dor no estômago. Não aguento mais. É melhor morrer do que passar por uma situação desta", disparou a auxiliar de serviços gerais Silvana Soares, que deixou o Conjunto Hilda Mandarino (zona norte), onde mora, para buscar socorro no Sabará. "Faz quatro horas que cheguei e a única coisa que fizeram por mim foi medir a pressão. Nem me deram um remédio para diminuir a dor", afirmou Silvana, por volta das 16 horas de segunda-feira.
Parte das cadeiras da sala de espera da UPA estão quebradas. Muitas já foram até retiradas. Assim, alguns pacientes aguardam o atendimento em pé, sentados sobre a armação de ferro, capacete ou até mesmo no chão. "Aqui é assim. Cheguei perto das 9 horas e até agora nada. Estou com dor no rim e alergias por toda a pele", afirmou a dona de casa Elisângela de Souza, moradora do Jardim Maria Celina (zona norte). Fora tudo isso, uma das janelas da UPA não tem vidros e folhas de papel foram improvisadas no espaço e emendadas com fita adesiva.
Sem conseguir caminhar, a dona de casa Maria da Silva foi transportada do Jardim Josiane, em Cambé, até a UPA com o pé direito inchado. Mesmo reclamando de dor, ela ficou ao menos quatro horas aguardando por um médico ou um enfermeiro. "Estou nessa situação porque fui correr atrás do meu cachorro fujão e acabei caindo e torcendo meu pé. Cheguei ao meio-dia e até agora não fizeram sequer um raio-X do meu pé", contou.
A reportagem entrou em contato com a assessoria de gabinete do secretário municipal de Saúde, Mohamad El Kadri, para abordar o assunto. No entanto, não houve retorno da pasta sobre o caso.

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