Pacientes à espera de vaga em hospital lotam HU de Maringá
Pacientes à espera de vaga em
hospital lotam HU de Maringá
Fotos Marcos NegriniDRAMA Mãe de Samuel, de 1 ano e cinco meses que está com pneumonia, espera internação em MaringáRoseli com a mãe quebrou o braço e espera cirurgia desde domingo
De Maringá
Com as alterações de temperatura dos últimos dias aumentou em mais de 30% o atendimento de crianças no Hospital Universitário de Maringá (HUM). A principal incidência é de doenças respiratórias e diarréia. O HUM inicia o atendimento às 19 horas e está recebendo em média 100 pacientes por noite no setor de pediatria. A preocupação é maior com os casos que precisam de internação, porque o hospital não dispõe de leitos suficientes.
Por causa da grande demanda, a cena mais comum na ala de pediatria do HUM é criança à espera de vaga para internação em outros hospitais. Há casos de crianças que esperam vaga por mais de dois dias na sala de observação. De acordo com o pediatra Manoel Ribeiro, 34 anos, atualmente poucos hospitais de Maringá aceitam pacientes pelo SUS, dificultando a transferência de crianças.
Outro problema, segundo ele, é quando as mães se recusam a permitir a transferência dos filhos para os hospitais da região. As mães não aceitam a transferência porque têm dificuldades de se afastar do trabalho e da família, explica.
A sala de observação, que deveria ser utilizada apenas por algumas horas pelas crianças que são atendidas no HUM no período noturno, fica lotada durante todo o dia. Há dias que a sala está tão cheia que temos que deixar as crianças em observação junto com pacientes adultos, lamenta Ribeiro.
A dona de casa Ana Paula da Silva Souza, 27 anos, não aceitou a vaga que foi oferecida ao filho dela em um hospital de Mandaguaçu. Ela está desde anteontem no HUM à espera de um leito pelo SUS para internar Samuel, de 1 ano e cinco meses. A criança é portadora de deficiência e está com pneumonia. Da última vez que ele foi transferido para fora de Maringá, ele (Samuel) quase morreu porque não colocaram balão de oxigênio nele. Agora eu prefiro esperar uma vaga aqui no HUM onde todos os médicos conhecem o problema dele, alegou.
A adolescente Roseli Pessoa Santos, 12 anos, quer ser transferida mesmo que seja para um hospital da região, mas não consegue vaga. Roseli quebrou o braço esquerdo e está no HUM desde domingo. Ela precisa ser operada, mas nenhum hospital de Maringá e da região aceita realizar o procedimento pelo SUS. Os pacientes que precisam de cirurgias na área de ortopedia sofrem muito mais, porque nenhum hospital quer atendê-los para receber apenas a remuneração do SUS, denuncia Ribeiro. A falta de atendimento pelo SUS nos casos de ortopedia, conforme Ribeiro é um dos mais graves em Maringá e atinge todas as faixas etárias.
A dona de casa Olendina Antonia Simões, 62 anos, está com fratura exposta no braço e também aguarda uma vaga pelo SUS desde domingo para ser operada. A família não tem condições de pagar a cirurgia que, segundo a filha, fica em aproximadamente R$ 1,5 mil. O mais grave, conforme Ribeiro, é que os casos de ortopedia devem ser solucionados em 12 horas sob risco de uma lesão vascular. O HUM, segundo o médico, não dispõe de estrutura para realizar as cirurgias de ortopedia.





