Paciente sem plano de saúde sofre restrições
PUBLICAÇÃO
domingo, 12 de janeiro de 1997
Da Sucursal 
Com os baixos valores pagos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), os hospitais têm restringido cada vez mais o atendimento de pacientes que não têm convênios médicos particulares ou dinheiro para pagar pelo serviço. Muitos estabelecimentos reduziram vagas para internamento e alguns chegaram a fechar serviços e departamentos que só davam prejuízo. Outros, como a Santa Casa de Misericórdia de Curitiba, apelaram para a boa vontade de empresários e da comunidade, deflagrando campanhas de arrecadação de fundos.
O Hospital São Carlos, que atende a região do Jardim América em Curitiba, desativou há dois anos sua maternidade, que fazia 300 partos por mês, por não ter condições de continuar bancando o serviço. O SUS paga hoje R$ 119,00 por parto, enquanto o custo do serviço é avaliado em R$ 350,00.
A falta de dinheiro também obrigou o hospital a reduzir de 800 para 120 o número de internações mensais nesse período, e de 170 para 130, o número de leitos disponíveis. A crise financeira também provocou demissões e a redução de 205 para 150 no número de funcionários do hospital.
Paciente do SUS não consegue vaga para internação em Curitiba hoje, admite o diretor do São Carlos, Luiz Fernando da Costa. Ele reclama que o governo federal culpa os hospitais privados pela problemas no atendimento, mas promove cortes e restringe o pagamento dos serviços. Não podemos ser colocados como os vilões dessa história. Não é questão de querer ou não atender, mas de querer receber pelo serviço prestado, afirma.
Caridade - Com a falta de recursos oficiais, muitos hospitais têm apelado para a caridade da população, como alternativa de financiamento de seus serviços. O Hospital das Clínicas criou a Associação dos Amigos do HC, que ano passado conseguiu arrecadar cerca de R$ 2 milhões com eventos e promoções.
A Santa Casa de Misericórdia de Curitiba, cujo ambulatório atende a cerca de 5.000 pessoas mensalmente, iniciou no mês passado uma campanha para arrecadação de fundos. Com uma dívida de R$ 2 milhões, a instituição mantém fechado um pavilhão de seu hospital psiquiátrico, para reformas. Nossos prédios têm mais de 100 anos de idade, o que encarece a manutenção e exige constantes reformas, explica Ary de Christan, provedor da Santa Casa.


