Com os baixos valores pagos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), os hospitais têm restringido cada vez mais o atendimento de pacientes que não têm convênios médicos particulares ou dinheiro para pagar pelo serviço. Muitos estabelecimentos reduziram vagas para internamento e alguns chegaram a fechar serviços e departamentos que só davam prejuízo. Outros, como a Santa Casa de Misericórdia de Curitiba, apelaram para a boa vontade de empresários e da comunidade, deflagrando campanhas de arrecadação de fundos.
O Hospital São Carlos, que atende a região do Jardim América em Curitiba, desativou há dois anos sua maternidade, que fazia 300 partos por mês, por não ter condições de continuar bancando o serviço. O SUS paga hoje R$ 119,00 por parto, enquanto o custo do serviço é avaliado em R$ 350,00.
A falta de dinheiro também obrigou o hospital a reduzir de 800 para 120 o número de internações mensais nesse período, e de 170 para 130, o número de leitos disponíveis. A crise financeira também provocou demissões e a redução de 205 para 150 no número de funcionários do hospital.
‘‘Paciente do SUS não consegue vaga para internação em Curitiba hoje’’, admite o diretor do São Carlos, Luiz Fernando da Costa. Ele reclama que o governo federal culpa os hospitais privados pela problemas no atendimento, mas promove cortes e restringe o pagamento dos serviços. ‘‘Não podemos ser colocados como os vilões dessa história. Não é questão de querer ou não atender, mas de querer receber pelo serviço prestado’’, afirma.
Caridade - Com a falta de recursos oficiais, muitos hospitais têm apelado para a caridade da população, como alternativa de financiamento de seus serviços. O Hospital das Clínicas criou a Associação dos Amigos do HC, que ano passado conseguiu arrecadar cerca de R$ 2 milhões com eventos e promoções.
A Santa Casa de Misericórdia de Curitiba, cujo ambulatório atende a cerca de 5.000 pessoas mensalmente, iniciou no mês passado uma campanha para arrecadação de fundos. Com uma dívida de R$ 2 milhões, a instituição mantém fechado um pavilhão de seu hospital psiquiátrico, para reformas. ‘‘Nossos prédios têm mais de 100 anos de idade, o que encarece a manutenção e exige constantes reformas’’, explica Ary de Christan, provedor da Santa Casa.

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