Paciente pioneira festeja perda de peso
Silvana Leão
De Londrina
A última segunda-feira foi uma data especial para a advogada e comerciante Ana Cristina Piaie de Oliveira Palma, de 34 anos. Não apenas por ser o dia em que se comemora a proclamação da República, mas também porque fez seis meses em que sua vida sofreu uma verdadeira reviravolta. Ou, como ela costuma dizer, fez seis meses que voltou a viver.
No dia 15 de maio deste ano, Ana Cristina Palma foi a primeira paciente londrinense a submeter-se à gastroplastia, cirurgia para redução do estômago, realizada no Hospital Universitário (HU). Na época, a comerciante pesava 175 quilos, distribuídos em 1,70 metro. De lá para cá ela perdeu 48 quilos, mudou totalmente seus hábitos alimentares e sente-se outra pessoa. Já não sou mais uma obesa mórbida, diz com orgulho Ana Palma, referindo-se à doença que a levou ao excesso de peso.
O resultado na balança, porém, ainda não é definitivo. O normal é que o paciente submetido à cirurgia continue perdendo peso durante todo o primeiro ano após a intervenção cirúrgica, que reduz em 90% a capacidade gástrica da pessoa. Devo continuar perdendo de seis a sete quilos por mês no próximo semestre, diz a comerciante que, por esta conta, provavelmente vai chegar aos 90 quilos.
O próximo passo, segundo ela, será fazer uma cirurgia plástica para retirar o excesso de pele que se acumula em determinadas regiões, como barriga e parte inferior dos braços. As roupas usadas atualmente por Ana estavam guardadas há uns 10 anos no fundo do guarda-roupa. Já sou quase uma pessoa normal. Hoje já não sou apontada na rua pelas pessoas, comemora ela.
O marido de Ana, Júlio César Palma, 37 anos, que fez a mesma cirurgia no dia 25 de agosto, também não economiza palavras para falar das transformações na vida do casal. Qualquer transtorno que tenha sido causado pela cirurgia não foi nada comparado ao bem-estar gerado pela recuperação de nossa auto-estima. Não dá para descrever o prazer de poder voltar a lavar os pés na hora banho.
Júlio Palma, também comerciante, já perdeu 25 quilos em menos de três meses, e atualmente pesa 126 quilos. Em relação à diminuição na quantidade de comida ingerida por ambos, ele faz uma comparação bem-humorada: É como se tivéssemos nos livrado da montanha e agora estivéssemos numa planície. Os quatro pacotes de macarrão consumidos anteriormente por semana pelo casal foram reduzidos a menos de um pacotinho do tipo Miojo por mês.
O casal afirma que, mesmo querendo, não consegue comer em excesso. Se forçam a barra e extrapolam, o vômito vem em seguida. Mesmo as massas, antes tão apreciadas pela família, passaram a ser rejeitadas pelo paladar de ambos. O mesmo aconteceu com os doces e carne vermelha, praticamente abolidos da dieta. Não conseguimos comer mais que duas colheres de sopa de alimento por refeição.
Júlio Palma compara os primeiros 30 dias após a cirurgia a um tratamento antidrogas. O começo é a fase mais difícil, quando a gente ingere apenas líquido. Também é quando precisamos estar bem preparados psicologicamente, pois nos é arrancado o prazer de comer. Se a pessoa não estiver bem preparada, pode entrar em depressão. Por este motivo, o comerciante acredita que 90% das chances de sucesso da cirurgia estão ligadas ao fator psicológico.
O paladar e o olfato de Ana e Júlio Palma foram outros que sofreram mudanças radicais. Cheiros que antes nem sentíamos, como o de barracas de alimentos nas ruas, passaram a nos incomodar, dizem.Advogada londrinense perdeu, após cirurgia feita há 6 meses, 48 quilos
Dorico da SilvaVIDA MELHORAna Cristina e o marido Júlio Cesar Palma comemoram o sucesso da cirurgia para redução do estômago. Juntos, os dois já perderam 73 quilos e agora podem até sentar nas cadeiras da sala, presente de casamento, que antes só serviam de enfeite. Os móveis não suportavam o peso do casal. Abaixo, Ana Cristina, em foto feita há seis meses, quando tinha 175 quilosArquivo Folha





