Edson GuittiTriste esperaPacientes internados no Hostipal Universitário aguardam vagas em hospitais credenciados


Edson GuittiCosta Filho: ‘exportando pacientes’




A crise da falta de leitos para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) provocou a primeira morte do ano em Maringá. No ano passado, cinco pacientes morreram por falta de atendimento especializado em hospitais da cidade. A aposentada Vicentina Maria Clemente, 64 anos, morreu às 11h25 de domingo no Hospital Universitário de Maringá (HU) enquanto aguardava vaga em Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) da Santa Casa, único hospital da cidade que ainda é credenciado ao SUS.
Vicentina teve um acidente vascular cerebral (AVC) e estava aguardando vaga em UTI há quatro dias. Até ontem, nove pacientes internados no HU aguardavam vagas para UTI e cirurgias especializadas em hospitais credenciados pelo SUS. O HU é o único hospital de Maringá que tem pronto-socorro para atender pacientes do SUS, mas não realiza cirurgias especializadas e nem tem UTI.
O HU atende uma média de 200 pessoas por noite - das 19 horas às 7 horas - nos dias de semana e 400 pacientes nos finais de semana, quando funciona as 24 horas do dia. O hospital tem 60 leitos. Em 96, atendeu 113.527 pacientes. A Santa Casa é o único hospital da cidade credenciado ao SUS que tem UTI e faz cirurgias. Tem cinco vagas em UTI para adultos, uma para neo-natal e outra pediátrica.



Santa Casa é o
único hospital
da cidade
conveniado


Em setembro do ano passado, além da Santa Casa, mais quatro hospitais com UTIs tinham credenciamento junto ao SUS: Hospital Maringá, Santa Rita, São Marcos e Paraná. Os quatro já se descredenciaram do SUS. ‘‘Se naquele tempo, com cinco hospitais, já era difícil conseguir uma vaga, imagine hoje só com um credenciado. Estamos exportando pacientes até para o hospital de Bela Vista do Paraíso, próximo a Londrina’’, lamenta o diretor-superintendente em exercício do HU, Esmeraldo Costa Filho.
Ainda ontem, o HU transferiu para o Hospital Bom Jesus de Ivaiporã, a 140 quilômetros de Maringá, a paciente do SUS, Paulina Carmelim Marlotto, 68 anos, acometida de um AVC.
Para piorar ainda mais a crise, no dia 27 dezembro, o Hospital Metropolitano, de Sarandi (7 quilômetros a leste de Maringá), que recebia mensalmente 60 pacientes enviados pelo HU, também se descredenciou do SUS, por 45 dias. Costa Filho diz que só não morre mais gente nos corredores e quartos do HU porque seus médicos, enfermeiros e funcionários, pelo telefone, não se cansam de procurar vagas em outros hospitais da região.

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