Um paciente de Tamarana (62 km ao sul de Londrina) morreu anteontem esperando por leito em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no Hospital Universitário de Londrina (HU). Ana Lanza foi internada com infecção urinária no dia 30. No último dia 3, o estado de saúde da mulher de 78 anos de idade evoluiu para uma infecção generalizada, necessitando de internação em UTI. Anteontem, às 22 horas, ela morreu na enfermaria feminina da instituição hospitalar, onde também estava outra pessoa à espera do mesmo atendimento.
É a primeira morte registrada entre os nove pacientes, que desde sexta-feira, quando a superlotação se agravou, aguardavam por leitos de UTI. O velório da mulher aconteceu ontem na Capela Mortuária de Tamarana e o sepultamento estava marcado para as 17 horas, no Cemitério Municipal.
Ontem pela manhã, a situação do hospital não era menos desesperadora, apesar de o número de pedidos de UTIs ter baixado para sete com a morte de Ana Lanza e a alta médica de um paciente da unidade, sendo encaminhado para enfermaria.
Anteontem, a Santa Casa ofereceu uma vaga em UTI, mas seria necessário o empréstimo de um respirador artificial, inviabilizando a transferência de algum paciente do HU. ''Estamos trabalhando com a alta precoce de pacientes internados na UTI'', confirmou o diretor clínico do HU, Sinésio Moreira Júnior.
Ainda na segunda-feira à noite, a Central de Regulação de Leitos da Secretaria de Estado de Saúde conseguiu duas vagas de UTI no Hospital João de Freitas, em Arapongas (37 km a oeste de Londrina). Porém, os pacientes deveriam ser transferidos somente ontem porque a ambulância da Central, que faz o serviço de transporte interregional estava ocupada na noite anterior e não poderia realizar a transferência.
A Central também conseguiu uma vaga de UTI em Jacarezinho (Norte-Pioneiro), mas a família não autorizou a transferência do paciente por causa da distância.
Moreira Júnior é taxativo ao avaliar a situação dos pacientes internados e que ainda esperavam ontem por uma vaga em UTI. ''Sem sombra de dúvida, esses pacientes correm risco de morte'', ressaltou o diretor clínico, acrescentando que não daria para afirmar se Ana Lanza teria alguma chance de sobrevida se estivesse internada em UTI, não descartando a importância de um tratamento adequado.
A gravidade do problema fica exposta no do Pronto Socorro do HU, que estava ontem pela manhã com 66 pessoas internadas, quando a capacidade é para 37 pacientes. Algumas pessoas estavam internadas nos corredores.
O atendimento no PS Médico foi suspenso às 8h40, com previsão de voltar a atender às 20 horas. Já o Cirúrgico também estava recebendo apenas casos de urgência e emergência.

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