Mais um morador de Londrina teve o atendimento médico comprometido devido à falta de leitos de enfermaria e Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) no sistema de saúde da cidade. A doméstica Maria Aparecida de Lima, 43 anos, foi levada por familiares para o Hospital da Zona Norte (HZN) na tarde de domingo com derrame cerebral e até o final da manhã de ontem aguardava a liberação de um leito para internamento. A tomografia para verificação da gravidade do problema só foi realizada na manhã de ontem.
Maria Aparecida foi levada ao HZN por uma irmã, a dona de casa Maria Cecília Elias, às 18 horas do domingo. Segundo ela, a irmã já estava com o lado direito do corpo paralisado e reclamava de fortes dores de cabeça. ''Quando chegamos, ela ainda teve que aguardar na sala de emergência e só foi levada para um quarto por volta das 22 horas'', disse Cecília, lembrando ainda que a irmã teria sofrido duas paradas cardíacas durante a noite. Foi só depois que a dona de casa descobriu que o quarto para o qual a irmã tinha sido levada era o utilizado pelo hospital para o engessamento de pacientes.
Segundo o diretor do HZN, Antônio José Santiago, só o exame poderia dizer para que tipo de leito Maria Aparecida seria encaminhada. ''Depois de constatada a gravidade do problema, ela será levada para um hospital terciário da cidade. Mas para isso devemos esperar pelo encaminhamento da Central de Leitos da 17 Regional de Saúde'', explicou.
A demora para a realização da tomografia foi justificada por Santiago com a falta de equipamentos necessários nos hospitais da cidade. ''Este exame é terceirizado e a paciente teria que esperar pela abertura das clínicas com as quais temos convênios'', explicou. O internamento em um leito de enfermaria, segundo o diretor, não foi possível porque os 56 quartos do HZN estavam ocupados. ''No entanto, não há falta de leitos de enfermaria no HZN. O problema é que os quartos são mal utilizados. Muitos pacientes que precisam de UTI ainda estão aqui'', disse Santiago.
Segundo o supervisor da Central de Vagas da Regional, Édio Gomes Carvalho, até o final da manhã de ontem, 16 pessoas de Londrina esperavam pela liberação de vagas de UTI em hospitais da região. ''Ainda não tivemos retorno dos hospitais sobre liberações, mas isso pode ocorrer também em uma das cidades da região'', disse.
No início da tarde, porém, a chefe da 17 Regional de Sa© úde, Vânia Gutierrez, garantiu que havia apenas uma pessoa aguardando transferência de um leito de UTI de Jacarezinho para Londrina. ''Mas como este já está sendo atendido, não é prioridade'', explicou. De acordo com ela, todos os pacientes que aguardavam vagas foram atendidos, em Londrina e cidades da região. ''Nós temos um acordo com as outras regionais e se não conseguimos vagas na nossa encaminhamos para outra. Ninguém fica sem atendimento'', afirmou. No final da tarde a Folha falou com a direção do HZN e a paciente continuava esperando por uma vaga.

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