Paciente de transplante se recupera
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quinta-feira, 09 de abril de 1998
Célia Baroni 
Dorico da SilvaAgradecimentoBenedito Porto, que fez transplante de coração há um mês: Família da doadora salvou minha vida Futebol, cerveja, conversa com os amigos, família e trabalho. O sapateiro Benedito Carlos Porto, 51 anos, chegou a pensar que não iria mais voltar a fazer as coisas de que mais gostava. Portador de cardiomiopatia dilatada (coração grande), o sapateiro passou por um transplante e completa hoje um mês de coração novo. Agora estou bem. Já estou caminhando e dou até alguns passeios.
Caminhadas de 150 metros e visitas ocasionais a um amigo representam muito para Porto, que mora na cidade de Arapongas (37 quilômetros a oeste de Londrina). Antes da cirurgia, realizada na Santa Casa de Londrina, ele mal conseguia se movimentar pela casa. Não podia se deitar - dormia sentado - e não tinha fôlego nem para falar. A decisão da família da doadora salvou minha vida, diz. Ainda usando máscara - proteção contra infecções oportunistas -, ele passa por um acompanhamento médico semanal.
O tranplante de Porto foi o segundo feito em Londrina após a entrada em vigor da nova lei de transplantes, e o oitavo realizado pela equipe de cirurgia cardíaca da Santa Casa de Londrina. A operação foi um sucesso. O sapateiro não apresentou problemas de rejeição. A recuperação foi rápida.
Depois da cirurgia, Benedito Porto revela que muita coisa mudou na sua vida. Agora a família vem em primeiro lugar. Entendi que se estou aqui é porque Deus me abençoou. Valorizo mais a minha religião, diz. Tereza Porto, esposa do sapateiro, conta que o mais difícil tem sido mantê-lo em casa. Ela explica que Porto é muito ativo. Agora que ele está se sentindo melhor, acha que já pode sair o tempo todo, brinca.
A família sofreu junto. Casados há 25 anos, Tereza e Benedito Porto têm dois filhos, de 20 e 22 anos. Foram momentos de angústia, que eu espero não precisar reviver. Mesmo agora, depois do risco maior ter passado, ainda temos medo. Sabemos que esta fase da recuperação é delicada, comenta Tereza. Segundo ela, o marido só deverá ser liberado pelos médicos para retomar a vida normal seis meses após a cirurgia.
A doença caiu como uma bomba na minha vida. Nunca tive nenhum sintoma. Jogava futebol, tomava cerveja e me achava uma pessoa perfeitamente saudável, diz Porto. Tudo começou há dois anos, em uma sexta-feira, depois de uma partida de futebol. Ele conta que sentiu muita falta de ar e um forte cansaço. Na segunda-feira seguinte foi ao médico e ficou sabendo que seu coração estava doente. Mas o medo chegou mais forte quando ele descobriu que a medicação não estava surtindo efeito.
Em agosto do ano passado ele se submeteu a uma ventriculectomia parcial - a cirurgia do naco - em Curitiba, na esperança de não precisar depender do transplante. A cirurgia, no entanto, não obteve o resultado esperado. Após o procedimento, o sapateiro perdeu mais de 20 quilos. Sem outras alternativas, e com a saúde abalada, ele se inscreveu na fila dos candidatos a transplante. Nunca perdi a esperança, conta ele.
A angústia só não foi maior porque, desde o início, Porto sabia que a espera poderia ser longa. Fiquei surpreso e agradecido quando fui chamado para o transplante. A cirurgia aconteceu no dia 10 de março. O sapateiro explica que passou na frente de outros inscritos porque estava muito mal e tinha compatibilidade com o órgão doado.


