Paciente acusa auxiliar de atentado ao pudor
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de novembro de 1997
Lucinéia Parra 
Maringá
O auxiliar de enfermagem Adelson Gonçalves dos Santos, 25 anos, está sendo acusado de atentado ao pudor mediante fraude. Ele teria feito exame de secreção vaginal na vendedora P.C.B., 21 anos, sem autorização médica. O atentado ocorreu no dia 21 de outubro no Hospital Paraná, em Maringá, onde P.C.B. procurou atendimento por causa de fortes dores abdominais.
De acordo com a denúncia registrada na Delegacia da Mulher, a vendedora contou que ao chegar ao Hospital Paraná acompanhada da mãe, foi atendida pelo médico Carlos Alberto Nemer, que fez o diagnóstico e solicitou alguns exames. Por recomendação do médico, a vendedora permaneceu no hospital para receber soro. O médico teria saído logo após a consulta, recomendando ao auxiliar de enfermagem para que aplicasse o soro na paciente.
Antes de liberar a vendedora para que voltasse para casa, Santos teria ligado ao médico solicitando informações sobre o que fazer antes da alta. Segundo P.C.B., ao desligar o telefone, Santos teria dito que o médico havia mandado ele (Santos) realizar exame de secreção vaginal. A vendedora disse na delegacia que achou estranho o procedimento, mas não impediu que o auxiliar fizesse o exame. Ela afirma que o rapaz usou luvas e que teria passado os dedos pela sua vagina.
Ao sair do hospital, a vendedora comentou com a mãe sobre o procedimento de Santos. As duas decidiram perguntar ao médico no dia seguinte se de fato ele havia pedido o exame. Conforme a vendedora, o médico teria demonstrado indignação com o fato e afirmado que o procedimento não é de competência de um auxiliar de enfermagem.
Santos prestou depoimento anteontem e negou que tivesse realizado o exame. Ele disse que trabalhava no hospital havia sete anos e que neste período nunca teve uma conduta que o desabonasse. Ele não quis dar declaração à imprensa.
A escrivã Mariza Cacia de Almeida pretende marcar para a próxima semana uma acareação entre Santos e a vendedora. O médico que atendeu a paciente também poderá ser chamado a depor como testemunha. Mariza disse que Santos deverá responder processo por crime de atentado ao pudor mediante fraude.
A direção do Hospital Paraná demitiu Santos. A Folha tentou falar com os diretores do hospital mas eles não estavam na instituição. Conforme a assessoria de imprensa do hospital, o caso é lamentável e imprevisível.


