Paciência e vínculo afetivo
O exemplo de que nunca é tarde para aprender vem das alunas da turma de alfabetização promovida pelo Centro de Convivência de Idosos, no Jardim da Luz, zona oeste de Londrina.
A turma é formada por oito alunas, que encontraram um espaço para aprender a ler, escrever e fazer contas, junto a um grupo de pessoas da mesma idade. Essa vontade somada à promoção de outras atividades tornaram o aprendizado um processo prazeroso.
''Tenho que usar a criatividade. Em sala de aula, exemplifico o conteúdo com práticas do dia a dia delas, como os preços da feira, as medidas de receitas etc. Mas além da paciência para ensiná-las o alfabeto, acredito que o vínculo afetivo é o ponto de partida. Elas querem, acima de tudo, atenção e carinho, pois muitas vezes são esquecidas pelos próprios familiares'', conta a professora aposentada Aparecida Alice Zampar, que recebe da Secretaria Estadual de Educação suporte para o material escolar e um salário de apoio. ''É quase um trabalho voluntário'', diz.
As novas aprendizes estudam três vezes por semana, com duração de duas horas/aula. Em sala, elas aprendem a língua portuguesa, operações de matemática e ciências naturais. As aulas são oferecidas há oito meses e são abertas ao público em geral com idade acima de 60 anos.
Dona Anita Rosa da Silva é um exemplo de que não existe idade para aprender o bê-á-bá. Aos 92 anos, ela foi em busca do sonho de saber escrever . Nascida na Bahia, não teve oportunidades dignas de estudo. ''Quando eu era pequena, tinha uma casa na minha cidad e que funcionava como escola, mas eu não conseguia aprender e a vida acabou me dando outros rumos'', lembra Anita, que veio para Londrina, se casou e teve três filhos. ''Tentei voltar para a escola aos 60 anos, mas mais uma vez não deu certo. Não dava tempo de ir à escola todos os dias. Meu marido faleceu e sempre fui eu que cuidei da casa'', diz ela, que retomou os estudos este ano.
''Aqui eu faço ginástica e estudo. Agora sei ler as placas do ônibus, as placas de rua e já sei escrever meu nome. Estou me sentindo muito bem porque meu desejo sempre foi aprender a escrever'', conta Anita, com orgulho.
Ana Maria Barbosa, aos 76 anos também demonstra grande satisfação ao conseguir fazer ''umas continhas''. Ela também não teve oportunidade de frequentar a escola quando criança e abandonou rapidamente a sala de aula quando tentou retomar o aprendizado aos 30. Agora tem tempo de sobra para se dedicar ao alfabeto. ''Só sei escrever meu nome, mas estou gostando de vir aqui porque além de aprender com a professora, fiz novas amizades'', afirma.
Serviço - As aulas no Centro de Convivência de Idosos são gratuitas. Mais informações pelo fone (43) 3337-8826 ou 3372-4502





