O Pronto Atendimento Adulto (PAA) de Londrina pode ser construído em dez meses. É esse o prazo previsto para a conclusão da obra, cuja ordem de serviço foi assinada ontem pelo prefeito Nedson Micheleti (PT). O PAA será construído em um terreno anexo ao prédio do Pronto Atendimento Infantil (PAI) e irá assumir os atendimentos de urgência e emergência para adultos que hoje são oferecidos no Centro de Saúde (CS) José Belinati, na área central. ''O bom atendimento que é oferecido hoje para as crianças, agora poderá ser oferecido também aos adultos'', frisou o prefeito.
Em 827 metros quadrados, o PAA terá consultórios, salas de enfermagem, rampas para acesso de ambulâncias, setor de emergência e oito leitos de observação com banheiros separados para homens e mulheres. Serão cinco leitos a mais do que os disponíveis no José Belinati, uma das únicas unidades que oferecem atendimento emergencial para adultos, durante 24 horas a outra é a Unidade Básica de Saúde (UBS) do Jardim Leonor (zona oeste).
Segundo o secretário municipal de Saúde, Sílvio Fernandes, havia a necessidade de melhorar esse tipo de atendimento, mas a estrutura e localização do José Belinati não permitia ampliações. ''Quando não dá para ampliar, é melhor substituir. E aquela estrutura já estava inadequada, com atendimento complicado especialmente em horários de pico'', destacou.
O secretário acredita que a nova obra resolverá, em parte, dois grandes problemas da saúde em Londrina: a deficiência nos atendimentos médio e emergencial. ''Teremos uma sala de emergência ampliada, mais leitos de observação e um ambiente mais humanizado. Isso vale o investimento significativo que está sendo feito'', assinalou. A diretora executiva da Secretaria de Saúde, Margarete Shimiti, acredita que o número de pacientes atendidos pelo PAA será superior ao do CS José Belinati, que recebe cerca de 600 pacientes por dia, de todas as regiões da cidade e também de outros municípios. Após a transferência do serviço de pronto atendimento para o PAA, o José Belinati passará a sediar o Centro Odontológico Especializado, primeiro do gênero no município.
A construção do PAA é contestada por alguns representantes do Legislativo em Londrina. O presidente da Comissão de Seguridade Social da Câmara, vereador Tercílio Turini (PSDB), diz não ser contrário à obra, mas acredita que, no momento, o município deveria se concentrar na necessidade de ampliação dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). ''Será que é hora de iniciar essa obra, quando se está discutindo a superlotação dos hospitais e a falta de leitos de UTI? Isso precisa ser melhor pensado'', argumenta.
A vereadora Márcia Lopes (PT), líder do governo na Câmara, discorda da posição de Turini. ''Devemos lembrar que o único hospital sob a responsabilidade do município, onde não estão ocorrendo problemas, é a Maternidade Municipal e cabe ao secretário deliberar sobre todo o sistema do município'', afirma. A vereadora também frisa que as mudanças foram dicutidas e aprovadas pelo Conselho Municipal de Saúde. ''Há um órgão deliberador que é o conselho, além disso, com a reforma haverá a ampliação de três para oito leitos, o que significa cinco pessoas a menos ocupando leitos de hospitais'', diz.
Turini informou que a Comissão deve ouvir, na próxima semana, chefes e funcionários do José Belinati e do PAI. Posteriormente, o secretário de Saúde poderá ser chamado para discutir o assunto na Câmara. (Colaborou Adriana Savicki)

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