Oxigenoterapia melhora tratamento de pé diabético
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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Fernanda Carreira <br> Reportagem Local 
Que a oxigenoterapia traz diversos benefícios para a qualidade de vida de pacientes internados, provocando efeitos antibacteriano, antiinflamatório e vasoconstritor, já é de conhecimento da Medicina desde a década de 70. A novidade é que o tratamento complementar já desponta como um importante método para a aceleração da cicatrização das lesões em pés diabéticos. O tratamento é oferecido, desde 2009, pela equipe de Medicina Hiperbárica da Santa Casa de Londrina, na qual cirurgiões vasculares, ortopedistas, hiperbaristas e cirurgiões plásticos e demais especialistas trabalham de forma integrada.
Segundo dados de um levantamento realizado pelo serviço de Medicina Hiperbárica do hospital, a oxigenoterapia favorece um índice de recuperação total de 30% acima do normalmente obtido em tratamento convencional. O índice de ''amputação grande'' (acima do tornozelo) é 35% menor se comparado às indicações de amputação nos tratamentos convencionais.
Dos 70 casos de pé diabético já tratados pela equipe médica, com o uso do oxigênio puro, mais de 50 apresentaram melhora total ou índice superior a 70% de cicatrização das lesões. ''Isso significa 80% de recuperação dos casos. Em tratamentos convencionais, sem o uso da oxigenoterapia, o índice de recuperação total gira em torno de 50% dos casos'', cita o médico hiperbarista Wilson Albieri Vieira, coordenador do serviço.
Por outro lado, Vieira enfatiza que apenas 5% dos 70 casos atendidos na Santa Casa precisaram de amputação grande. ''Com o tratamentos convencional, os casos de amputação grande ficariam em torno de 30 a 40%.''
Vieira explica que o paciente encaminhado para o tratamento complementar segue uma rotina de cerca de 30 a 40 sessões de oxigenoterapia, de segunda a sexta-feira, por cerca de duas horas. Durante este período, o paciente fica em uma espécie de uma cápsula e, por meio de uma máscara, recebe oxigênio a 100% (puro) sob pressões superiores à atmosférica. O serviço também é oderecido a pacientes do Sistema único de Saúde (SUS).
''Com isso, o oxigênio puro é mais facilmente difundido no organismo, provocando efeito cicatrizante, antibacteriano, antiinflamatório e vasoconstritor'', acrescenta o cirurgião vascular Rogério Sakuma.
''Com o tratamento, ocorre a redução significativa no tempo da internação e a consequente diminuição do uso de antibióticos. O resultado é mais qualidade de vida para o paciente e racionalização de leitos e custos hospitalares, já que hoje as complicações por diabetes são a maior causa de amputações, atingindo mais casos até mesmo do que por traumas'', complementa Vieira. ''E uma vez amputado um membro, aumenta muito também a chance de amputação do membro do outro lado também, visto que o comprometimento pode atingir regiões cada vez mais profundas.''


