Emerson Cervi
De Curitiba
Com três anos e quatro meses de existência, o programa ‘‘Quero Meus Pais’’, da Ouvidoria Geral do Estado, conseguiu encontrar 242 pessoas desaparecidas. O índice de sucesso nas buscas tem sido de 21% do total. A coordenadora do programa, Carmem Langaro Pareja, diz que a maioria das pessoas que procura o programa é de filhos que querem conhecer os pais ou de pessoas que esperam reencontrar parentes. ‘‘Esse programa surgiu quando no Brasil só existiam buscas por crianças desaparecidas. Então, começamos a procurar adultos que por algum motivo tinham desaparecido.’’
Além de filhos adotivos que querem conhecer os pais biológicos, também há casos de irmãos de famílias divididas que querem reencontrar irmãos e pais que buscam filhos. ‘‘É incrível como as pessoas se desligam de seus familiares com facilidade e muitas vezes não conseguem reencontrá-los alguns anos depois’’, conta a coordenadora. Cerca de 90% das pessoas que já se cadastraram no programa agora são paranaenses.
Mas no ano passado, o ‘‘Quero Meus Pais’’ conseguiu promover o reencontro entre Ivan Lukenszuk, 58 anos, e seus familiares na Ucrânia. Lukenzuk veio para o Brasil fugindo das perseguições na Segunda Guerra Mundial e depois disso perdeu o contato com os irmãos que ficaram na Europa. Durante mais de 50 anos, Lukenszuk morou em Londrina e Cidade Gaúcha, no Paraná, sem nenhum contato com o restante da família. ‘‘Ele contou que ficou muito emocionado quando falou com os parentes na Ucrânia depois que nós conseguimos o contato’’.
Os interessados no programa ‘‘Quero Meus Pais’’ podem entrar em contato com a Ouvidoria Geral do Estado pelo telefone 0800-41-1113. ‘‘Mas a busca é feita apenas quando os motivos são sentimentais’’, alerta a coordenadora. Não são procurados parentes para cobrar pensão alimentícia ou dívidas. O programa é gratuito. Para facilitar a procura, as pessoas precisam informar o nome correto de quem será procurado, filiação, suposto paradeiro e tempo de desaparecimento.
Atualmente existem 75 casos em trâmite. Do total protocolado, além dos 242 resolvidos, 186 foram arquivados a pedido e 156 arquivados por falta de dados. O telefone disponível para o programa recebe cerca de 40 ligações por dia. ‘‘Estamos trabalhando em dois casos que podem ser resolvidos em breve’’, lembra a coordenadora. Em um deles, Fernanda Aparecida Faggion, que foi adotada quando ainda era criança, quer encontrar a mãe biológica. ‘‘A Fernanda conta que o pai era alcoólatra e batia na mãe, por isso ela abandonou a família.’’ Carmem Pareja sabe que a mãe de Fernanda está morando no Estado do Mato Grosso.

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